Dario Durigan quer restringir crescimento das despesas e desafia tese de crise fiscal iminente

Dario Durigan, ministro da Fazenda, anuncia endurecimento do arcabouço fiscal para apoiar a política monetária e reduzir pressão sobre a taxa de juros, desmentindo crise fiscal iminente e culpando guerra no Oriente Médio pela inflação.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, ampliou nesta sexta-feira o discurso de ajuste fiscal rigoroso, apontando que o governo seguirá “apertando o arcabouço fiscal” como medida essencial para apoiar o Banco Central na política de juros. Em entrevista à GloboNews, Durigan foi claro ao afirmar que o papel do Ministério da Fazenda é colaborar com a política monetária por meio de um controle mais firme sobre as contas públicas.
Ajuste fiscal como resposta à pressão monetária
Durigan tem intensificado o diálogo com o mercado e economistas, reforçando a intenção do governo Lula — em caso de reeleição — de adotar medidas mais duras para conter a expansão das despesas obrigatórias, sobretudo. Ele propõe reduzir o limite anual de crescimento das despesas do arcabouço fiscal dos atuais 2,5% para algo em torno de 1,5%, mesmo mantendo patamares acima da inflação.
Tese de crise fiscal rejeitada
Apesar da retórica dura, o ministro rejeita categoricamente a narrativa de que o Brasil estaria à beira de um colapso fiscal. Para Durigan, o país ainda tem espaço para manobras, desde que haja disciplina para conter o crescimento das despesas públicas.
Guerra no Oriente Médio como motor da inflação
Curiosamente, Durigan relativiza o impacto da política fiscal na inflação, apontando a guerra no Oriente Médio como fator decisivo para a alta dos preços no Brasil. Segundo ele, o conflito aumenta diretamente o custo dos combustíveis e restringe a oferta global de fertilizantes, afetando o agronegócio e a cadeia produtiva nacional.
“Não é o governo que gasta, é a guerra feita pelo governo dos Estados Unidos no Irã, apoiada pelo bolsonarismo, que está trazendo aumento de preço no país”, declarou, acrescentando uma crítica política ao adversário ideológico.
BC sob pressão, mas com respaldo fiscal
O Banco Central brasileiro, que mantém a taxa Selic em 14% para tentar conter a inflação, tem demonstrado preocupação tanto com a demanda aquecida quanto com os efeitos dos choques externos sobre os preços. Durigan sinaliza que o aperto fiscal será o complemento necessário para dar sustentação à política monetária e evitar que os juros precisem subir ainda mais.
Este movimento do governo revela um esforço para equilibrar a narrativa econômica entre o ajuste fiscal responsável e a contestação à visão de crise, ao mesmo tempo em que joga o peso da inflação nas complexidades geopolíticas globais que impactam o Brasil.








