Dario Durigan coordena ação com Banco Central para conter volatilidade em títulos e câmbio

Após forte alta do dólar e queda da Bolsa, ministro da Fazenda Dario Durigan detalha intervenção coordenada do Tesouro e Banco Central para recuperar normalidade do mercado financeiro.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao GLOBO que o Tesouro Nacional vai intervir no mercado de títulos públicos para auxiliar a regularização após a forte volatilidade observada nesta segunda-feira, decorrente da vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais. Durigan explicou que a medida consiste na recompra de papéis para aumentar a liquidez e trazer racionalidade ao mercado, em coordenação com o Banco Central, liderado por Gabriel Galípolo.
Durigan informou que já conversou com o presidente Lula sobre o tema e está em diálogo constante com o Banco Central e o Tesouro para coordenar essa atuação conjunta, que busca evitar impactos desproporcionais no mercado cambial e de juros. “Não estamos falando de controle de preço, mas de alguma racionalidade e normalidade”, afirmou.
A decisão ocorre após o dólar comercial disparar até 12,2%, alcançando R$ 5,60, e o Ibovespa sofrer queda superior a 17%, levando à suspensão temporária das negociações devido ao acionamento do mecanismo de circuit breaker.
O ministro também destacou que o governo adotará medidas para estabilizar as contas públicas, com foco no aumento do superávit primário, controle e revisão de despesas obrigatórias, e cooperação com o Banco Central para viabilizar a redução gradual da taxa de juros, respeitando a autonomia da autoridade monetária.
Durigan ressaltou que mantém diálogo com agentes do mercado e reforçou a importância de evitar retaliações ou chantagens entre os diferentes atores, buscando um ambiente de estabilidade econômica.
Contexto da intervenção
A vitória de Lula gerou incertezas imediatas nos mercados financeiros com alta abrupta do dólar e queda significativa na Bolsa de Valores, fenômenos comuns em períodos de transição política. A intervenção do Tesouro e a coordenação com o Banco Central são estratégias para conter a volatilidade e assegurar o funcionamento regular do mercado financeiro.
Medidas fiscais e econômicas previstas
O governo sinaliza o compromisso com a política fiscal responsável, buscando manter o equilíbrio das contas públicas por meio de aumento do superávit primário e ajustes nas despesas obrigatórias. Esta postura visa garantir a sustentabilidade da dívida pública, a estabilidade dos juros e do câmbio no médio e longo prazo, promovendo um ambiente econômico estável.
Essas ações são parte do esforço para ajustar o cenário econômico às novas condições políticas, garantindo previsibilidade e confiança ao mercado e investidores.









