Pastor tem passe livre em áreas controladas por bicheiro; ligação expõe impunidade e conluio

Investigação revela que cigarros ligados ao pastor Márcio Poncio circulam livremente em áreas controladas pelo bicheiro Adilsinho, que monopoliza o comércio ilegal no Rio de Janeiro.
Pastor Márcio Poncio e bicheiro Adilsinho: conluio no mercado ilegal de cigarros
A mais recente fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal, confirmou aquilo que as investigações já indicavam: o pastor Márcio Poncio não é apenas um líder religioso, mas também um personagem ativo no mercado clandestino de cigarros no Rio de Janeiro. Preso nesta quinta-feira, Poncio tem sua marca de cigarros circulando livremente em áreas dominadas pela poderosa quadrilha do bicheiro Adilsinho, que controla o monopólio do comércio ilegal no estado.
Passe livre em áreas monopolizadas
Interceptações telefônicas revelam que, apesar da intolerância de Adilsinho à concorrência em seus territórios, os cigarros ligados a Poncio gozam de tratamento especial, circulando sem obstáculos. Sargento Daniel Maia, operador da quadrilha, confidencia em áudio a dificuldade do grupo em competir com o pastor, que possui fábrica própria e desafia os preços tabelados pela máfia.
Estratégias e violência para manter o controle
Além do conluio com Poncio, a quadrilha não hesita em reprimir e roubar marcas rivais, mantendo o controle absoluto sobre o comércio ilegal. A preocupação com a expansão da marca concorrente R8 na Zona Oeste do Rio culminou em uma investigação de campo seguida do assassinato brutal do principal distribuidor, Cristiano de Souza, com mais de 30 tiros de fuzil. O sargento Maia foi denunciado pelo crime, evidenciando o grau de impunidade e violência do esquema.
Ligações empresariais que sustentam o esquema
Outro elo que une Poncio à quadrilha está em seu sócio laranja, Charles Guilherme Costa de Vasconcellos, preso na Operação Libertatis 2, apontado como operador de Adilsinho e responsável pela distribuição dos cigarros ilegais. Vasconcellos também é réu em processos fiscais que envolvem as empresas do pastor, mostrando uma rede empresarial que serve para lavar e proteger o esquema criminoso.
Desdobramentos e impacto político
A prisão de Márcio Poncio expõe a complexa teia que une religião, crime organizado e negócios ilícitos no Rio de Janeiro. O episódio ressalta a fragilidade das instituições diante do poder das quadrilhas, que não apenas controlam o comércio ilegal, mas também infiltram estruturas sociais e econômicas, desafiando o Estado e prejudicando a segurança pública e a economia legal.
Este caso agrava o desgaste do sistema de segurança e da Justiça do Rio, exigindo respostas rápidas e eficazes para desmantelar essa rede de corrupção e violência que assola o estado.








