Governo Lula se prepara para novas sanções dos EUA diante do julgamento de Bolsonaro


possível condenação do ex-presidente no STF preocupa o Planalto, que avalia respostas políticas e jurídicas à escalada de penalidades americanas.

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para o cenário de novas sanções dos Estados Unidos, motivadas pelo julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), marcado para a próxima terça-feira (2), na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Bolsonaro e outros sete réus começam a ser julgados sob acusações de tentativa de golpe de Estado, organização criminosa armada e outros crimes relacionados à trama golpista que teria como objetivo mantê-lo no poder após a derrota nas eleições de 2022.

novas sanções
Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo

No Planalto, auxiliares de Lula avaliam que uma eventual condenação de Bolsonaro poderá provocar uma escalada das penalidades impostas pelo governo americano, que já aplicou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, cancelou vistos de autoridades e sancionou o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. O episódio tem gerado preocupação sobre o impacto político e econômico para o Brasil, especialmente em um momento de negociação internacional sensível.

O processo de aplicação da Lei de Reciprocidade, iniciado pelo Brasil, visa garantir respaldo legal para eventuais retaliações caso novas sanções americanas sejam impostas. A medida pode levar de seis meses a um ano para ser concluída, e por isso o governo se antecipou para assegurar que haverá espaço para respostas políticas, sem recorrer a tarifas imediatas que poderiam prejudicar setores produtivos. Entre as medidas em análise estão ações envolvendo propriedade intelectual e tributação de serviços digitais, como aplicativos de streaming.

A situação internacional se insere em um contexto político mais amplo. Durante a Lava Jato, o ex-presidente Lula também utilizou a tese de perseguição judicial, ou “lawfare”, para contestar processos em sua época de prisão. Agora, a defesa de Bolsonaro alega perseguição do ministro Alexandre de Moraes, relator da trama golpista no STF. Especialistas apontam que, embora ambos os casos envolvam acusações políticas, os crimes imputados a Bolsonaro são considerados mais graves, por atacarem diretamente a ordem democrática.

A segurança em torno do julgamento de Bolsonaro foi reforçada no Distrito Federal, com varreduras em residências de ministros, aumento do efetivo policial e controle de acesso à Praça dos Três Poderes, restringindo a circulação a pessoas credenciadas. Enquanto aliados de Bolsonaro afirmam que o julgamento visa afastá-lo da disputa presidencial de 2026, o governo Lula se prepara para enfrentar possíveis repercussões internacionais sem comprometer o desenvolvimento econômico interno.

O episódio evidencia o grau de tensão entre Brasília e Washington. Desde julho, o governo americano utiliza a situação jurídica de Bolsonaro como justificativa para medidas punitivas. No Brasil, auxiliares do presidente entendem que uma eventual retaliação deverá ser conduzida com equilíbrio, priorizando respostas políticas que reafirmem soberania nacional sem gerar impacto negativo imediato sobre a economia.

Para especialistas, a conjunção entre o julgamento histórico de um ex-presidente brasileiro e a pressão internacional reforça o caráter estratégico das decisões de Lula, que busca proteger o país de novas sanções, ao mesmo tempo em que acompanha de perto o desenrolar do processo contra Bolsonaro.

Leia a notícia completa: STF inicia nesta semana julgamento de Bolsonaro e outros acusados de tentativa de golpe

Tentativa de golpe

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será julgado a partir da próxima terça-feira (2) na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de liderar um esquema de golpe de Estado após a derrota eleitoral de 2022. Além dele, outros sete réus compõem o núcleo central da trama golpista, com acusações que incluem tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada e danos qualificados ao patrimônio público.

Bolsonaro já cumpre prisão domiciliar desde 4 de agosto, decisão tomada pelo ministro Alexandre de Moraes. O julgamento ocorre em um momento histórico: é a primeira vez que um ex-presidente brasileiro é julgado por crimes relacionados a tentativa de ruptura democrática.

A segurança em Brasília foi reforçada: casas de ministros do STF passaram por varreduras, o efetivo policial foi ampliado e a circulação em torno da Praça dos Três Poderes estará restrita a pessoas credenciadas.

Como será o julgamento

O caso está sendo analisado pela Primeira Turma do STF, formada pelos ministros Alexandre de Moraes (relator), Cármen LúciaCristiano Zanin (presidente da Turma), Luiz Fux e Flávio Dino.

O rito funciona da seguinte forma:

  1. O relator apresenta um relatório com base nas investigações.

  2. O procurador-geral da República expõe a acusação (até 2 horas).

  3. Cada defesa tem até 1 hora para sua sustentação oral.

  4. Os ministros analisam preliminares levantadas pelas defesas.

  5. Inicia-se a votação, na seguinte ordem: Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

Para condenação ou absolvição, é necessária maioria simples — três votos dos cinco ministros.

As sessões estão agendadas para os dias 2, 3, 9, 10 e 12 de setembro, sempre no período da manhã e, em alguns dias, também à tarde. Caso algum ministro peça vista, o julgamento poderá ser interrompido e retomado em até 90 dias.

Se condenado, Bolsonaro pode receber pena superior a 40 anos de prisão, além da possibilidade de perder direitos políticos e ver consolidada sua inelegibilidade. Outro ponto de debate será a execução da pena: a jurisprudência do STF indica que, após a análise de recursos, a pena pode ser cumprida em regime fechado. Há ainda discussões sobre a perda de patente dos generais envolvidos, o que impediria que cumprissem pena em prisões especiais.

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