Após rejeições e recuos, presidente força candidatura própria para manter controle político no segundo maior colégio eleitoral

Lula escolhe Patrus Ananias para representar o PT em Minas diante de um quadro de rejeições e recuos de nomes mais competitivos, buscando manter base no segundo maior colégio eleitoral do país.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente bateu o martelo e escolheu o deputado federal Patrus Ananias (PT-MG) como candidato do PT ao governo de Minas Gerais. A decisão, fechada após reunião em Brasília nesta quinta-feira, chega depois de uma série de recusas de nomes mais competitivos procurados pelo partido e pelo próprio Lula para disputar o estado, o segundo maior colégio eleitoral do país.
Lula força candidatura própria e encerra indefinição
A falta de opções mais fortes deixou o PT em situação delicada, pressionado internamente a definir o palanque mineiro sem mais delongas. Inicialmente, Lula aspirava ter o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB) no leque, mas Pacheco anunciou aposentadoria política, surpreendendo a cúpula petista.
Tentativas de diálogo com o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT) e Josué Gomes (PSB) não avançaram, e a desistência pública da ex-prefeita Marília Campos, favorita interna, obrigou Lula a apostar em Patrus, figura histórica do partido, para evitar um vácuo eleitoral.
Estratégia de aliança e chapa majoritária
Para fortalecer a chapa, o PT mira composição com aliados, especialmente o PSB, oferecendo postos de vice e senado para garantir apoio. Marília Campos permanece na corrida ao Senado, enquanto nomes como Josué e Jarbas Soares aparecem como opções para compor com o PT.
Perfil de Patrus e desafio eleitoral
Patrus Ananias, 74 anos, ex-prefeito de Belo Horizonte e ex-ministro dos governos Lula e Dilma, é reconhecido por sua atuação na implantação do Bolsa Família, mas carrega o peso da velha política petista. Reelegeu-se deputado federal em 2022 com cerca de 87 mil votos, mostrando alguma resistência eleitoral, mas terá desafio para conter o avanço de concorrentes mais recentes e com maior apelo popular.
Com a decisão, Lula busca não perder terreno em Minas, estado tradicionalmente decisivo para a vitória presidencial, mas a aposta em Patrus reflete limitações do PT em renovar quadros e se reposicionar diante do desgaste político enfrentado no estado.









