ApexBrasil reage ao tarifaço dos EUA com plano de R$ 130 milhões para fugir da dependência


Agência estatal aposta em diversificação e novos mercados para driblar tarifas americanas que cortam US$ 7,2 bi das exportações brasileiras

ApexBrasil reage ao tarifaço dos EUA com plano de R$ 130 milhões para fugir da dependência
Plano de R$ 130 milhões da ApexBrasil mira novos mercados para escapar de tarifaço dos EUA — Foto: Angelo F. Roesler/ Adobe Stock

Em resposta ao aumento de tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros, a ApexBrasil anuncia um plano de R$ 130 milhões para diversificar as exportações, focando em União Europeia, ASEAN e Ásia Central para reduzir a dependência do mercado americano.

A Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou, nesta sexta-feira (17), um plano robusto de R$ 130 milhões para diversificar as exportações brasileiras e enfrentar o recente tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A medida, que entra em vigor em 22 de julho, aplica uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, afetando US$ 7,2 bilhões em exportações que, no ano anterior, somaram US$ 38 bilhões para o mercado americano.

Pressão dos EUA força Brasil a buscar alternativas

O presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, deixou claro que a resposta brasileira será ampliar horizontes e reduzir a dependência dos EUA. “O que a gente vai trabalhar agora é a diversificação. É um novo olhar sobre novas oportunidades a partir de um novo cenário do comércio internacional”, afirmou em entrevista coletiva.

A iniciativa envolve 57 setores econômicos e cerca de 2,4 mil empresas exportadoras que já atuam no comércio exterior, mas que precisarão ganhar fôlego novo em mercados emergentes e consolidados fora da influência americana.

Novos mercados na mira: UE, ASEAN e Ásia Central

A prioridade da ApexBrasil é explorar o mercado da União Europeia, reforçada pelo recente acordo do Mercosul, além dos países que compõem a Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) — como Indonésia, Malásia, Tailândia e Vietnã — que apresentam taxas de crescimento vigorosas.

Países da Ásia Central, como Cazaquistão e Uzbequistão, também entram na lista de oportunidades, já que crescem entre 7% e 8% ao ano e demonstram interesse em parcerias de investimento com o Brasil.

Diversificação já em curso, mas desafio permanece

Desde o início das tarifas americanas em 2025, 72% das empresas apoiadas pela ApexBrasil que exportam para os EUA já implementaram estratégias para abrir pelo menos um novo mercado para seus produtos. Ainda assim, o processo de criação e fortalecimento de novos mercados é complexo e demanda tempo, especialmente em regiões como a China, onde o Brasil pretende destacar produtos específicos e suas vantagens.

Reação política e econômica ao tarifaço

O governo brasileiro rejeita a justificativa dos EUA para as tarifas, apontando motivação política e exigência unilateral de abertura de mercados sem contrapartidas. Durante as negociações, a lista de produtos isentos foi ampliada, mas o impacto sobre o comércio brasileiro é inegável.

Apesar do cenário adverso, a ApexBrasil destaca que houve crescimento nas exportações para a Europa, Índia e China no primeiro semestre, indicando que a estratégia de diversificação pode compensar perdas.

Brasil como destino confiável, apesar das turbulências

O presidente da ApexBrasil ressaltou o Brasil como um destino estável e atraente para investimentos globais. Em 2025, o país atraiu US$ 77 bilhões em investimentos, figurando como o quinto maior receptor mundial, com crescimento de 22% na atração de investimentos, superando a média dos países em desenvolvimento, e consolidando-se como principal destino dos investimentos chineses.

A resposta da ApexBrasil ao tarifaço dos EUA é clara: resistir às pressões americanas reforçando laços comerciais globais e apostando no protagonismo brasileiro no comércio internacional, ainda que o caminho seja árduo e exija coordenação e investimento público e privado.


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