Presidente descarta preocupação com endividamento e evita detalhar cortes, priorizando expansão econômica que pode suavizar pressão fiscal

Lula afirma que não está preocupado com a dívida pública e prioriza crescimento econômico para melhorar finanças do país, evitando indicar cortes em despesas futuras.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta quinta-feira (27) sua postura de minimizar a preocupação com a trajetória da dívida pública brasileira, apontando o crescimento econômico como a verdadeira solução para a melhora fiscal do país. Em entrevista à TV Globo, Lula evitou indicar quais gastos poderiam ser cortados em um eventual novo mandato, preferindo destacar que seu foco principal será fazer a economia crescer.
Crescimento como prioridade fiscal
“O meu estabelecimento é fazer esse país crescer”, declarou Lula, argumentando que uma economia em expansão reduz o peso da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Ele citou o desempenho positivo observado desde 2023 e comparou o endividamento brasileiro a dos Estados Unidos, Japão e Itália, sugerindo que o endividamento nacional não deve ser motivo de alarde.
Pressão sobre juros e críticas à política econômica
O presidente também atribuiu parte da pressão sobre a dívida ao nível dos juros e criticou a política monetária adotada durante parte de seu governo atual. Lula ressaltou o histórico de responsabilidade fiscal de seus mandatos anteriores, destacando os superávits primários alcançados e mencionando que recebeu o país em 2023 com a situação fiscal mais deteriorada.
Evitando compromissos com cortes
Pressionado sobre quais despesas seriam revistas para ajustar as contas públicas, Lula retornou ao tema do crescimento econômico e não assumiu compromisso com cortes específicos. Ele lembrou o pagamento antecipado da dívida com o FMI em seu primeiro mandato como exemplo de sua condução fiscal responsável.
Contexto político e fiscal
A declaração do presidente ocorre em meio a intensos debates sobre o ajuste fiscal para o próximo governo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem defendido a contenção do avanço das despesas obrigatórias, enquanto o Orçamento de 2027 está sendo elaborado com meta de superávit primário. Economistas alertam que a estabilização da dívida bruta, que está próxima a 82% do PIB, demandará melhora persistente do resultado primário.
Com esse posicionamento, Lula intensifica a aposta no crescimento econômico para contornar pressões fiscais, ao mesmo tempo que evita compromissos claros sobre ajustes orçamentários, sinalizando a complexidade do desafio que virá pela frente.









