Presidente Lula se esquiva de interferir e manda claro recado sobre investigação envolvendo Lulinha

Lula afirma que filho deve se defender das acusações e arcar com prejuízos aos cofres públicos, desprezando papel de juiz e reforçando a não interferência em investigações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou postura de distanciamento e firmeza diante das investigações que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Em entrevista exclusiva à Record, exibida no Domingo Espetacular, Lula afirmou que o filho deve se defender das acusações que enfrenta e responder caso seja comprovado que causou prejuízo aos cofres públicos.
Sem tentar assumir o papel de juiz ou delegado, o presidente deixou claro que não vai interferir no andamento das investigações. “Eu não sou um presidente que tenta proibir investigação. Eu não ameaço mandar ministro embora. Eu não ameaço punir delegado. Investigue-se”, declarou.
Essa postura, segundo ele, é igual para qualquer cidadão, inclusive para seu filho. “Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está [acima da lei] se cometer erro”, afirmou Lula.
Ele reconheceu que existem “muitas ilações” e defendeu cautela antes de conclusões precipitadas. Contudo, ressaltou que eventuais erros que tragam prejuízo aos cofres públicos devem ser cobrados: “Se alguém cometeu erro e esse erro trouxe prejuízo aos cofres públicos, essas pessoas terão que pagar”.
Sobre Lulinha, Lula foi enfático ao dizer que ele deve enfrentar o processo, provar sua inocência ou aceitar a punição se for condenado. O presidente revelou ainda que orienta o filho a se defender tanto publicamente quanto nos processos judiciais, ressaltando que essa postura é fruto de sua própria experiência com investigações e acusações.
Em um momento mais pessoal, Lula lembrou da ex-mulher e mãe de Lulinha, Marisa Letícia, mencionando que ela sofreu fatalmente devido a desgastes da Operação Lava Jato, reforçando a complexidade do tema para sua família.
Na entrevista, Lula não poupou críticas aos que tentam usar o poder para intimidar autoridades e investigados, reafirmando seu compromisso com a legalidade e o devido processo legal, ainda que isso envolva pessoas próximas a ele. Essa posição clara pode representar um recuo estratégico diante das pressões políticas em torno do caso.









