Relatos de Jorge Chastalo Filho apontam críticas ao estilo político da ex-presidente durante prisão de Lula

Em livro lançado por ex-agente da PF, Lula afirma que Dilma tinha dificuldades para decidir e não negociou com Eduardo Cunha, o que teria levado ao impeachment.
O livro “Banho de Sol – os 580 dias de Lula na prisão”, de Jorge Chastalo Filho, ex-policial federal que acompanhou o petista na Superintendência da PF em Curitiba, traz declarações polêmicas de Lula sobre a ex-presidente Dilma Rousseff. Segundo os relatos registrados em outubro de 2018, Lula afirmou que Dilma tinha dificuldade para tomar decisões e criticou sua falta de articulação política, especialmente diante do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
Lula teria dito que “Dilma é muito boa para cumprir ordens, mas não para decidir”, ressaltando que o PT preferiu manter lealdade e não realizar acordo com Cunha, que detinha grande poder no Congresso. O presidente atribuiu a derrota de Dilma no impeachment à sua recusa em negociar com Cunha, afirmando que ela entrou em uma disputa sem apoio suficiente, com menos de 70 deputados ao seu lado. Lula ainda mencionou a obra “A Arte da Guerra”, indicando que Dilma não aplicou estratégias que poderiam evitar o processo.
O impeachment de Dilma foi formalizado em 2015 após Cunha aceitar denúncia relacionada a irregularidades fiscais, culminando no afastamento definitivo em 2016 e na posse do então vice-presidente Michel Temer (MDB).
Em resposta, Eduardo Cunha contestou as afirmações do livro, afirmando que Lula tentou, em 2016, propor um acordo para barrar o impeachment, mas que ele recusou a oferta. Cunha classificou as declarações como mentirosas e afirmou que o livro parece uma tentativa de resgatar a agenda da Lava Jato.
A reportagem procurou a assessoria de Dilma Rousseff para comentário, mas não obteve resposta até a publicação. O texto será atualizado se houver manifestação.
Além das questões políticas, o livro detalha a rotina de Lula na prisão, incluindo alimentação, exercícios e visitas. O autor reconhece que algumas conversas foram anotadas posteriormente, podendo haver imprecisões.
Lula foi libertado em novembro de 2019, após decisões do Supremo Tribunal Federal sobre a execução de penas, e teve suas condenações anuladas em 2021.
Esta reportagem foi produzida com a colaboração da estagiária Camila Fioranelli, sob supervisão editorial.









