Mandato inicia com tensões nas relações Brasil-EUA e cenário complexo na América do Sul

Lula inicia seu quarto mandato com promessa de continuidade na política externa e enfrentando pressões dos EUA, especialmente relacionadas a tarifas e designações de grupos no Brasil.
Luiz Inácio Lula da Silva garantiu seu quarto mandato presidencial no domingo (25) com a promessa de manter a continuidade na política externa brasileira. O desafio principal para o governo será administrar as tensões internacionais, especialmente provocadas por pressões do governo dos Estados Unidos, que desde 2017 tem adotado uma postura mais assertiva e restritiva em relação ao Brasil.
O diplomata Paulo Roberto de Almeida destaca que o “trumpismo ativo” será um elemento perturbador significativo, com medidas como a imposição de tarifas e a classificação de facções criminosas brasileiras como “narcoterroristas”. Lula tem respondido a essas dificuldades com discursos de defesa da soberania nacional.
No contexto das relações internacionais, o Brasil deve manter uma postura de potência média, conciliando sua relação econômica e comercial com os Estados Unidos e a China, seu principal parceiro comercial há mais de 15 anos. O Itamaraty seguirá buscando equilíbrio diplomático entre essas potências.
Quanto à guerra entre Rússia e Ucrânia, o Brasil adotou uma posição de condenação moderada à invasão, sem críticas contundentes, o que reflete parte do posicionamento pessoal de Lula, que demonstra simpatia pelo presidente Vladimir Putin.
Na esfera regional, o presidente enfrenta um cenário de maior diversidade política, com vários governos de direita em países sul-americanos, o que traz desafios para a agenda de integração regional tradicionalmente defendida por Lula. Conforme Almeida, a América Latina mudou de perfil político, tornando-se mais centrista e com presença significativa da direita.
Assim, o mandato de Lula no Itamaraty se inicia em um ambiente internacional e regional complexo, que exigirá habilidade diplomática para preservar a autonomia do Brasil e manter suas relações estratégicas.









