Pesquisa mostra avanço do PT em áreas de alta renda e crescimento do PL na periferia e interior

Levantamento indica que Lula aumentou votos em bairros ricos nas grandes cidades, enquanto Flávio Bolsonaro cresceu entre a classe C e no interior do país.
A eleição presidencial de 2026 trouxe um cenário diferente para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em relação às suas eleições anteriores. Segundo levantamento do instituto Meio/Ideia, Lula ampliou sua votação nas seções eleitorais de perfil socioeconômico das classes A e B, especialmente nas grandes metrópoles, ganhando terreno em bairros de alta renda como Leblon, Ipanema e Copacabana, no Rio de Janeiro, e Pinheiros, Perdizes e Vila Madalena, em São Paulo.
Por outro lado, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, cresceu predominantemente nas periferias, cidades pequenas e médias do interior, obtendo 53% dos votos na classe C contra 37% de Lula, com uma vantagem de 16 pontos percentuais no primeiro turno. O crescimento do PL nessas faixas ocorreu também em seções eleitorais de perfil D, com aumento de quatro a cinco pontos percentuais em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro em 2022.
O levantamento identificou que 714 municípios que haviam dado vitória a Lula em 2022 passaram a votar em Flávio Bolsonaro em 2026, sem registros de movimento inverso. O cenário se repetiu nas diferentes regiões do país, com destaque para o avanço do PL no interior do Nordeste e para a redução do apoio a Lula na zona rural do Sul.
Analistas apontam que a mudança ultrapassa fatores econômicos e reflete aspirações da classe C, composta em grande parte por trabalhadores autônomos que buscam mais autonomia, flexibilidade no trabalho e oportunidades para empreender, diferentemente do modelo tradicional de emprego fixo e carteira assinada, historicamente defendido pelo PT.
Essa transformação também se manifesta na expansão do trabalho por aplicativos e no empreendedorismo individual, setores que valorizam a flexibilidade mesmo diante da instabilidade de renda. A dificuldade do PT em adaptar suas propostas e comunicação a essa realidade digital e a essa nova configuração do eleitorado ficou evidente na rejeição da tentativa de regulamentação do trabalho por aplicativos promovida pelo governo Lula.
Em resposta, a campanha do PT ajustou sua estratégia digital para o segundo turno, investindo em vídeos diretos, influenciadores e canais de WhatsApp para ampliar o alcance das mensagens. O próprio Lula foi incentivado a gravar vídeos em formato selfie para se aproximar do público.
Especialistas defendem que além das mudanças na comunicação, o PT precisa atualizar suas ideias e propostas para responder às novas demandas sociais e econômicas da classe C, sem perder a essência, mas reconhecendo a transformação do mercado de trabalho e das aspirações dos eleitores. A adaptação é vista como crucial para a continuidade do partido no cenário político nacional.
Fonte: gazetadopovo.com.br









