Liderança ausente trava avanço da IA nas empresas brasileiras


Falta de uso diário da inteligência artificial pelos gestores limita potencial e gera desperdício

Liderança ausente trava avanço da IA nas empresas brasileiras
Uso diário de IA por líderes é crucial para destravar barreiras nas empresas (Foto: Gonzalo Fuentes/Reuters) — Foto: Gonzalo Fuentes / Reuters

A falta de liderança que utilize inteligência artificial no cotidiano corporativo impede que empresas brasileiras aproveitem o verdadeiro potencial da tecnologia, revela especialista da Starian.

A inteligência artificial (IA) só ganhará tração real nas empresas brasileiras quando os líderes incorporarem seu uso nas atividades diárias. Essa é a avaliação firme de Guilherme Brasil, CTO da Starian, empresa que projeta superar R$ 750 milhões em receita líquida este ano. Segundo ele, gestores que ignoram a IA em suas rotinas têm dificuldade para perceber os entraves que impedem suas equipes de adotá-la efetivamente.

Liderança tem papel decisivo na adoção da IA

Um levantamento do Future of Professionals Report 2026, da Thomson Reuters, com 1.816 profissionais de 62 países, mostra que 74% dos empregados já usam ferramentas de IA pelo menos algumas vezes por semana, mas 91% reclamam que suas organizações não extraem todo o valor da tecnologia — a chamada lacuna de valor. Mesmo entre empresas com estratégias de IA, cerca de um terço dos funcionários dizem que esses planos não se traduzem no cotidiano do trabalho.

Além disso, um terço admite usar ferramentas de IA não autorizadas pela empresa, fenômeno conhecido como Shadow AI, reflexo da demora corporativa em ofertar soluções adequadas. Brasil destaca que só experimentando na pele é possível para líderes identificarem obstáculos como bloqueios de cibersegurança e atuar para removê-los.

“Quando o líder usa a IA, enxerga as barreiras que o time enfrenta. Se não fizer, jamais saberá o que trava a adoção. Eu mesmo já esbarrei em bloqueios que impediam a conclusão de tarefas, e se isso me aconteceu, ocorreu também com minha equipe”, explica ele.

Treinamentos generalistas não resolvem o problema

Outro erro frequente é apostar em treinamentos amplos que explicam conceitos genéricos da IA, mas não dialogam com os desafios específicos das áreas e equipes. Para Brasil, capacitações precisam ser personalizadas e ministradas por quem conhece a realidade do grupo, garantindo aplicação prática e relevância.

A mensagem é clara: sem líderes comprometidos e engajados no uso diário da inteligência artificial, as empresas continuarão a desperdiçar um ativo estratégico, perdendo eficiência e competitividade num cenário global cada vez mais tecnológico.


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