O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) realiza na próxima quinta-feira (23) o julgamento ético-profissional de dois médicos envolvidos no caso de Roberto de Avelar Júnior, 34 anos. Em fevereiro de 2022, o paciente deu entrada no Hospital do Pênfigo, em Campo Grande, para a remoção de um pino do braço, um procedimento considerado simples. Contudo, após a cirurgia, Júnior teve seu quadro clínico drasticamente alterado, evoluindo para um estado neurovegetativo.
Roberto Avelar, pai de Júnior e vereador, expressou sua profunda indignação e expectativa por justiça. “A minha expectativa é que as pessoas que cometeram esses erros médicos sejam exemplarmente punidas. Acabaram com a vida do meu filho”, declarou Avelar, demonstrando confiança na postura ética do CRM no julgamento do caso. A sessão, que será realizada por videoconferência a partir das 19h, seguirá sob sigilo, conforme os trâmites dos processos administrativos.
O conselho médico irá analisar as condutas de Antônio Rodrigues de Pontes Neto, responsável pela aplicação da anestesia em Roberto Júnior, e de Karin Kiefer Martins, que na época exercia a função de diretora do Hospital do Pênfigo. A sessão terá início com a manifestação da defesa do paciente, que terá um tempo de 10 minutos para apresentar seus argumentos. As possíveis punições variam desde advertência confidencial até a cassação do direito de exercer a profissão.
A defesa de Antônio Rodrigues de Pontes Neto informou que, embora agradeça o contato, não pretende se manifestar sobre o caso no momento. Por outro lado, o Hospital Adventista do Pênfigo assegurou que está colaborando integralmente com as investigações e acompanhando de perto o desenrolar do processo legal, garantindo que todas as informações relevantes já constam nos autos do processo.
De acordo com o relato do vereador Roberto Avelar, momentos antes de receber a anestesia, a frequência cardíaca de seu filho era de 38 batimentos por minuto, valor abaixo do mínimo recomendado de 50 batimentos para a realização do procedimento. A família alega que o anestésico foi administrado por um médico sem especialização em anestesiologia, que se ausentou da sala cirúrgica, deixando o paciente sem a devida supervisão. Apenas a intervenção de uma enfermeira circulante, que monitorava as salas, alertou para o grave quadro de bradicardia e cianose apresentado por Júnior.
Ainda segundo o pai, após a intubação, a extubação precoce, realizada sem a devida avaliação e em um intervalo inferior a 72 horas, contribuiu para o agravamento do quadro. Em depoimento à polícia, o médico alegou que o paciente foi incluído na lista de cirurgia de última hora, o que impediu a realização de exames pré-operatórios e avaliação pré-cirúrgica adequados. Ele também afirmou que desconhecia a condição do paciente, que havia perdido o baço em um acidente, e negou ter se ausentado do centro cirúrgico.










