Diplomacia brasileira monitora renúncia presidencial e instabilidade bancária em Assunção

O Itamaraty monitora a crise política no Paraguai e considera o tema um assunto interno do país, sem previsão de manifestação oficial do Brasil, mesmo após a renúncia do presidente Santiago Peña.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil acompanha de forma cautelosa a crise política e econômica que afeta o Paraguai. Fontes do Itamaraty afirmam que a situação é vista como um assunto interno do país vizinho, e até o momento não há previsão de manifestação oficial por parte do governo brasileiro.
A instabilidade no Paraguai ganhou destaque após a liquidação do Ueno Bank, uma instituição financeira relevante que foi considerada insolvente pelo Banco Central do Paraguai (BCP). O caso provocou a renúncia do presidente Santiago Peña, que também foi acionista do banco durante seu mandato. Além disso, o presidente do Banco Central e dois diretores deixaram seus cargos.
A renúncia de Peña foi comunicada em 5 de novembro, após o avanço de um pedido de impeachment no Congresso paraguaio. A decisão sobre a aceitação da renúncia e prosseguimento do processo de impeachment está sob análise dos parlamentares. O presidente paraguaio integra um grupo político alinhado à direita, com relações exteriores próximas às dos Estados Unidos, embora mantenha diálogo respeitoso com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Fontes do Palácio do Planalto indicam que não está prevista qualquer declaração do presidente Lula sobre o cenário político em Assunção. Qualquer posicionamento oficial deve ser restrito ao Itamaraty, alinhando-se à diretriz de tratar o episódio como um tema soberano do Paraguai.
Contexto da crise
O Banco Central do Paraguai determinou a liquidação do Ueno Bank por insolvência. O Ministério Público local abriu investigação criminal contra dirigentes do banco, com suspeitas de gestão irregular e empréstimos a empresas ligadas ao grupo controlador da instituição, comprometendo seu patrimônio. Também há investigação sobre supostos crimes financeiros envolvendo o presidente Peña.
No Paraguai, o presidente que renuncia tem direito a tornar-se senador vitalício, mantendo prerrogativas legislativas, um ponto que tem sido debatido no Congresso, já que o impeachment pode prosseguir para evitar o foro privilegiado ao ex-mandatário.
Acompanhamento brasileiro
O Itamaraty reforça o monitoramento da situação em Assunção com prudência, respeitando a soberania do país vizinho. O governo brasileiro prioriza a estabilidade política na região e evita interferências públicas enquanto os desdobramentos seguem em análise pelas instituições paraguaias.
Fonte: metropoles.com










