Teerã acusa Washington de fabricar pretexto para ataques e questiona papel da AIEA

Irã nega qualquer atividade nuclear na montanha Kolang Kouh e acusa EUA de criar pretexto para novos ataques. Washington ameaça bombardear o local, enquanto Teerã questiona a postura da AIEA e reafirma programa nuclear pacífico.
O Irã negou veementemente qualquer atividade nuclear na montanha Kolang Kouh, conhecida como Pickaxe Mountain, alvo de recentes ameaças do governo americano. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baghaei, acusou os Estados Unidos de fabricar um pretexto para justificar ataques militares contra o país. Em declaração no X, Baghaei afirmou que as constantes ameaças e ações de Washington contra instalações nucleares iranianas violam a Carta da ONU, o direito internacional e resoluções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Segundo ele, todo o programa nuclear iraniano está devidamente declarado e fiscalizado conforme as obrigações assumidas perante a AIEA.
O foco norte-americano na montanha Kolang Kouh, onde Teerã garante não haver atividades nucleares, é classificado por Baghaei como uma desculpa para agressões e sabotagens. Além disso, o porta-voz questionou a atuação do diretor-geral da AIEA, Rafael Grossi, insinuando uma possível parcialidade dada sua candidatura ao cargo de secretário-geral da ONU.
A tensão escalou após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que as forças americanas poderão atacar em breve a Pickaxe Mountain. Trump levantou a suspeita de que o Irã teria transferido centrífugas para o local, cuja profundidade subterrânea dificultaria sua destruição, mesmo com as bombas antibunker mais potentes do arsenal americano.
A montanha fica próxima da instalação de enriquecimento de urânio em Natanz, que já foi alvo de bombardeios na Operação Midnight Hammer em 2025. O local permanece inacessível para inspetores da AIEA, fomentando suspeitas internacionais sobre um possível complexo nuclear subterrâneo. O governo iraniano, porém, mantém a narrativa de que seu programa nuclear é exclusivamente pacífico.
Montanha Kolang Kouh no centro da disputa
A montanha Kolang Kouh, além de ser estrategicamente próxima de instalações sensíveis, simboliza o impasse entre Teerã e Washington. Enquanto o Irã reforça a transparência e cumprimento das regras internacionais, os EUA apostam em ameaças militares para conter o avanço iraniano, elevando o risco de conflito na região.
AIEA e pressões políticas
A crítica iraniana à AIEA e seu diretor-geral aponta para um desgaste institucional importante no cenário global. A suspeita de que a agência poderia estar politicamente influenciada mina ainda mais a credibilidade do organismo num momento em que a vigilância internacional é crucial para evitar a proliferação nuclear.
Este impasse evidencia a complexidade geopolítica que envolve o programa nuclear iraniano, as tensões entre potências e o futuro da segurança no Oriente Médio.









