IPCA-15 sobe 0,7% com alta em alimentação, energia e serviços; pressão reduz espaço para Banco Central flexibilizar juros

IPCA-15 de setembro surpreende com alta de 0,7%, acima da expectativa, impulsionada por energia e alimentação, pressionando o cenário para cortes na Selic.
O IBGE divulgou nesta sexta-feira (25) que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) subiu 0,7% em setembro, acima das expectativas de 0,53% a 0,55%. O resultado foi puxado pela alta no grupo Habitação, que avançou 2,07%, principalmente devido ao aumento de 7,42% na energia elétrica residencial, reflexo do fim do Bônus de Itaipu que havia garantido descontos em agosto. Esse item respondeu por cerca de 40% da variação total do índice, segundo o gerente de investimentos Gabriel Foglieni, da Eleva Invest.
Além disso, o grupo Alimentação e Bebidas registrou alta de 0,40%, interrompendo uma sequência de quedas sazonais. Produtos essenciais como tomate (20,76%), arroz (2,39%) e carnes (1,30%) tiveram aumentos expressivos, influenciados por condições climáticas adversas e a expectativa de um El Niño intenso para o último trimestre do ano, segundo economistas Christian Meduna, do banco BV, e Júlio Barros, do Daycoval.
O segmento de serviços também contribuiu para a aceleração da inflação, com o grupo Transportes subindo 0,60%, impactado por um aumento de 9,82% nas passagens aéreas após recuo em agosto. A gasolina avançou 0,30%, contrariando as expectativas de retração. A economista Basiliki Litvac, da XP, destaca a resiliência dos serviços diante de um mercado de trabalho aquecido.
Um aspecto relevante da prévia da inflação é a disseminação da alta de preços, que afetou todos os nove grupos pesquisados e todas as onze regiões monitoradas pelo IBGE. O CEO da MA7 Capital, André Matos, ressaltou que a variação intensa dos preços não se deve apenas a distorções pontuais, caracterizando uma inflação disseminada.
Os núcleos de inflação acompanhados de perto pelo Banco Central aceleraram de 0,23% para 0,34%, com o índice de difusão passando de 52% para 53,7%. Apesar da surpresa nos números, especialistas como Pablo Spyer, da Ancord, e Júlio Barros avaliam que o núcleo permanece em patamar elevado, exigindo atenção à política monetária.
O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic para 13,75% na última reunião, mas diante da aceleração da inflação e da disseminação da pressão nos preços, a margem para flexibilização futura diminui. Economistas como Felipe Rodrigo de Oliveira, da MAG Investimentos, e Sidney Lima, da Ouro Preto Investimentos, recomendam cautela na condução da política monetária. A previsão é que o Copom pause cortes em novembro, com decisão ainda em aberto para a sequência do ciclo.
No cenário de longo prazo, a manutenção de juros elevados por mais tempo é vista como necessária para controlar a inflação, segundo Alberto Friggi, da Friggi & Secco. Leonardo Costa, do ASA, acredita que a piora marginal nos dados não deve alterar a estratégia do Banco Central, que mantém a expectativa de dois cortes adicionais de 0,25 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro.









