Cientista político aponta impacto da estratégia de Lula sobre dúvidas dos eleitores no segundo turno

Pesquisa Quaest revela que número de eleitores indecisos na espontânea dobrou, pressionando Flávio Bolsonaro na reta final da eleição presidencial.
A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira, 21 de outubro, mostra que o percentual de eleitores indecisos na modalidade espontânea dobrou, passando de 7% para 14%, um sinal que pode impactar a campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) na reta final do segundo turno presidencial. O cientista político Murilo Medeiros, professor da Universidade de Brasília (UnB), avalia que essa mudança é reflexo da estratégia adotada pelo candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem focado em questionar as propostas do adversário e associa-las a possíveis riscos para programas sociais fundamentais.
Crescimento dos indecisos e cenário eleitoral
Apesar do aumento dos indecisos, cerca de 90% dos entrevistados na pesquisa afirmam que não pretendem mudar seu voto, indicando uma forte fidelidade das bases eleitorais. No entanto, Medeiros destaca que o crescimento dos indecisos reflete uma cautela maior entre eleitores com menor identificação política, que começam a rever suas preferências diante do cenário atual.
Estratégia de campanha e vulnerabilidade de Flávio Bolsonaro
Segundo o cientista político, a campanha de Lula conseguiu explorar uma vulnerabilidade do senador Flávio Bolsonaro, que, embora se beneficie do peso político do sobrenome e do sentimento de oposição ao governo, ainda precisa consolidar suas próprias posições diante de uma parcela do eleitorado. A ofensiva petista sobre a continuidade de benefícios sociais e políticas públicas tem despertado dúvidas em eleitores inicialmente inclinados a votar em Flávio.
Rejeição e grupos estratégicos
A pesquisa também indica uma redução na rejeição dos candidatos, com Lula passando de 53% para 47% e Flávio de 54% para 52%. Medeiros ressalta a importância de o senador ampliar sua aceitação entre eleitores independentes, especialmente jovens, mulheres de baixa renda e moradores do Sudeste, segmentos que têm papel decisivo na disputa. A concentração de agendas em São Paulo e Minas Gerais reflete essa estratégia eleitoral.
Eleição aberta e desafio para os candidatos
A disputa permanece tecnicamente empatada, com Flávio Bolsonaro registrado com 45% das intenções de voto contra 44% de Lula, diferença dentro da margem de erro da pesquisa Quaest. Para o professor Medeiros, a eleição segue indefinida, com menos espaço para conquistar novos votos. Lula precisa converter a desconfiança em apoio, enquanto Flávio deve evitar que dúvidas afastem eleitores que buscavam mudança. O comportamento dos eleitores indecisos e sua decisão entre votar, anular ou se abster será determinante nos próximos dias.
Nesta reta final, o acompanhamento das pesquisas e das movimentações de campanha será fundamental para entender os rumos da eleição presidencial deste ano.










