Senacon investiga financeiras que cobram taxas exorbitantes acima do permitido, revelando risco e abuso no mercado

Governo abre investigação contra financeiras que cobram juros exorbitantes, chegando a 957% ao ano, no crédito pessoal sem consignação. Senacon avalia se práticas ferem Código de Defesa do Consumidor.
A recente investigação da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça, expõe um cenário alarmante no mercado de crédito pessoal não consignado no Brasil. Dados do Banco Central revelam taxas que ultrapassam 20% ao mês, culminando em juros anuais estratosféricos de até 957,7%, suscitando questionamentos sobre a ética e legalidade dessas cobranças.
Juros Escandalosos Sob a Lupa do Governo
As maiores taxas são praticadas pelas financeiras Valor (21,72% ao mês), Cobuccio/Ágil (21,71%) e Crefisa (20,86%), segundo levantamento do Banco Central. A Senacon deu início à apuração para verificar se essas práticas respeitam o Código de Defesa do Consumidor, que estabelece princípios como boa-fé, transparência e vedação à vantagem manifestamente excessiva — cláusulas claras em face do abuso flagrante dos juros.
Risco ou Exploração? O Dilema do Crédito Pessoal
O crédito pessoal sem consignação, modalidade investigada, não possui garantia de desconto direto na folha de pagamento ou benefícios previdenciários, o que justifica, em parte, juros mais elevados para cobrir o risco de inadimplência. Entretanto, o nível dessas taxas ultrapassa o razoável, configurando um ambiente propício à exploração do consumidor, especialmente aqueles em maior vulnerabilidade financeira.
Defesa das Financeiras e Reação do Mercado
Apesar da abertura do procedimento, a Senacon ainda não acusa formalmente irregularidades, mas monitora a situação para possíveis medidas administrativas. A Crefisa, por sua vez, argumenta que os dados do Banco Central agregam perfis de risco variados, dificultando uma avaliação precisa, e sustenta que suas taxas variam a partir de 1% ao mês, ajustadas conforme análise individual.
As financeiras Valor e Cobuccio/Ágil não se manifestaram até o momento.
Impacto Político e Social
Essa investigação coloca luz sobre práticas abusivas que não apenas prejudicam consumidores, mas escancaram um sistema financeiro que lucra com a vulnerabilidade popular. A ação governamental sinaliza uma tentativa de frear excessos e proteger direitos, mas também pressiona o setor financeiro a rever suas estratégias e transparência.
O desfecho dessa apuração poderá redefinir limites para as operações de crédito no país, com repercussões políticas e econômicas significativas, sobretudo num momento em que a população enfrenta dificuldades crescentes para acessar crédito justo.









