Projeto Suncatcher busca aproveitar energia solar para computação orbital

O Google prepara o lançamento do satélite MVP, protótipo para data center de IA em órbita, que usará energia solar para processar dados com chips especializados.
O Google avança em inovação tecnológica ao desenvolver o Projeto Suncatcher, que prevê a instalação de data centers de inteligência artificial em órbita terrestre, alimentados por energia solar. Em laboratório em São Francisco, técnicos inspecionaram e testaram um satélite protótipo, chamado MVP, que será lançado ao espaço em 1º de outubro a bordo de um foguete Falcon 9, da SpaceX, a partir da Base da Força Espacial de Vandenberg, Califórnia.
O satélite MVP contém quatro chips especializados em IA, equivalentes à capacidade de um único servidor, e gera cerca de 1 quilowatt de energia via painéis solares, suficiente para alimentar dispositivos pequenos, mas adequado para testes iniciais. A missão experimental terá duração prevista de um ano, com o satélite permanecendo em órbita por até seis anos antes de reentrar na atmosfera terrestre.
Segundo James Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa do Google, o projeto está em fase embrionária, similar ao desenvolvimento inicial dos carros autônomos pela empresa. O objetivo é avaliar a resistência dos chips e a eficácia do sistema de resfriamento desenvolvido, que dispensa ventiladores e utiliza camadas condutoras para dissipar o calor diretamente no espaço.
O desafio da radiação espacial foi enfrentado em testes conduzidos no Crocker Nuclear Laboratory, onde os chips foram expostos a doses equivalentes a cinco anos em órbita. Os resultados indicaram que falhas causadas pela radiação podem ser corrigidas por simples reinicializações.
O projeto foi aprovado pela liderança do Google, incluindo o CEO Sundar Pichai e o cofundador Sergey Brin, e prevê investimentos contínuos para expandir a tecnologia. Planos futuros incluem o lançamento de mais satélites e a criação de frotas capazes de operar em conjunto para processar consultas de IA. A expectativa é que, com a redução dos custos de lançamento, o custo dos data centers orbitais se aproxime dos terrestres até a década de 2030.
O Projeto Suncatcher representa uma resposta às limitações físicas e ambientais dos data centers terrestres, oferecendo uma alternativa que aproveita a energia solar e o ambiente do espaço para ampliar as capacidades computacionais de inteligência artificial.









