Sociólogo alerta para efeitos das bolhas digitais e comportamento superficial dos jovens

Sociólogo Guilherme Carvalho denuncia que redes sociais criam bolhas que empobrecem o debate político da geração Z, ampliando polarização e dificultando o diálogo democrático.
Redes sociais moldam geração Z e destroem diálogo político
A geração Z, composta por jovens nascidos entre 1997 e 2012, cresceu completamente imersa no ambiente digital e nas redes sociais, observa o sociólogo Guilherme Carvalho em entrevista à TV Assembleia. Essa realidade tecnológica alterou profundamente a forma como essa faixa etária estabelece relações sociais — agora amplas, porém superficiais — e consumem informação, reforçando um público impaciente e seletivo.
Algoritmos criam bolhas e empobrecem o debate
Carvalho destaca que os algoritmos das redes sociais concentram os usuários em conteúdos que agradam suas preferências, bloqueando a exposição a opiniões divergentes. Esse isolamento gera uma falsa percepção de realidade única e elimina o contato com o diálogo presencial tradicional, que exige escuta, confronto de ideias e debate. O resultado é um ambiente fértil para discursos radicais e ódio, que se espalham sem freios.
Polarização extrema e respostas fáceis enfraquecem democracia
A fragmentação da comunicação, antes limitada a poucos canais, abriu espaço para o extremismo de todos os lados políticos e dificultou a construção de consensos fundamentais para a democracia. Carvalho também aponta que a busca por respostas rápidas e simplistas nas redes sociais, estimulada pela insegurança social e econômica, torna o debate político ainda mais rasa e performático.
Políticos e imprensa no cenário digital
Segundo o professor, políticos exploram discursos curtos e emocionais para viralizar nas redes, contribuindo para uma despolitização do debate. Em contrapartida, o jornalismo profissional permanece essencial, pois seus filtros éticos e técnicos asseguram maior qualidade e confiabilidade das informações.
Educação, família e instituições devem reverter o quadro
Carvalho defende que enfrentar os desafios da geração Z requer ação conjunta da família, escolas e instituições, com foco em fortalecer uma relação crítica com a informação. Ele também ressalta que as condições sociais e econômicas influenciam profundamente o comportamento, destacando a importância da estabilidade para o desenvolvimento humano e social.
Papel das instituições e futuro político da geração Z
O sociólogo alerta para a importância da geração Z no cenário político e produtivo do futuro, reforçando que a reconstrução do diálogo, o respeito às normas e a valorização dos consensos sociais são pilares indispensáveis para a consolidação da democracia. Instituições como universidades, imprensa, assembleias e governos têm papel central nesse processo.
Fonte: assembleia.pr.leg.br








