Componentes são enviados dos EUA disfarçados como ferramentas, facilitando o contrabando

Componentes de fuzis chegam ao Brasil disfarçados como peças de ferramentas, aumentando os riscos na segurança pública.
Fuzis fantasmas e o contrabando de armamentos
O Brasil tem visto um aumento preocupante na circulação de fuzis fantasmas, armas que podem ser montadas a partir de kits comprados pela internet. Esses componentes são enviados dos Estados Unidos e chegam ao país disfarçados como peças de ferramentas. Segundo especialistas em segurança, esse método de contrabando tem facilitado o acesso a armamentos de alto poder destrutivo, como o fuzil AR-15.
Como funciona o contrabando de componentes?
Por aproximadamente R$ 17 mil, criminosos podem adquirir as peças necessárias para montar um fuzil. O valor inclui o custo das peças e o frete, o que ajuda a disfarçar o transporte ilegal. Recentemente, a Polícia Federal investigou um esquema em Santa Bárbara d’Oeste (SP) onde criminosos compraram kits para montar armas da marca alemã HK. As peças são enviadas por empresas como a FedEx, que, mesmo tendo um protocolo de tolerância zero, tem dificuldades em identificar remessas ilegais.
Aumento nas apreensões e desafios na fiscalização
As apreensões de armas consideradas irrastreáveis estão crescendo, especialmente no Rio de Janeiro. De acordo com um estudo, cerca de 40% dos fuzis encontrados nas mãos de facções criminosas não possuem numeração ou apresentam identificação falsificada. Esses armamentos são frequentemente chamados de fuzis fantasmas devido à dificuldade de rastreamento.
O papel da legislação e da fiscalização
Nos Estados Unidos, um dos componentes principais do AR-15, o receptor inferior, pode ser adquirido sem qualquer tipo de restrição legal. Isso torna a montagem clandestina de fuzis uma prática acessível a qualquer um que tenha a intenção. A falta de regulamentação e o crescimento do mercado de armas durante os últimos anos no Brasil também contribuíram para essa situação preocupante.
O que pode ser feito?
Especialistas sugerem que, para combater o tráfico de armas, é essencial implementar programas de recompra e melhorar a rastreabilidade das munições. A Receita Federal também precisa aprimorar suas técnicas para identificar peças de armamentos. O aumento do acesso a informação, como vídeos tutoriais sobre como montar fuzis, é um fator que agrava a situação.
Conclusão
O fenômeno dos fuzis fantasmas representa um grave desafio para a segurança pública no Brasil. A combinação de contrabando facilitado, falta de regulamentação e aumento na circulação de armamentos sem numeração coloca em risco a integridade das comunidades, especialmente nas áreas mais afetadas pela violência. O combate a essa questão deve ser uma prioridade nas políticas de segurança do país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br










