Senador lança candidatura com ato em Copacabana e reforça agenda ideológica bolsonarista no Sudeste

Flávio Bolsonaro inicia campanha presidencial com ato em Copacabana, resgatando símbolos e estratégias do pai, Jair Bolsonaro, e aposta em pautas ideológicas para mobilizar base conservadora no Sudeste.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu largada à sua campanha presidencial com um ato simbólico na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, no dia 16 de agosto. A escolha da orla carioca não é casual: local histórico das manifestações bolsonaristas e palco repetido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para mobilizar sua base, o evento reúne parlamentares, candidatos e apoiadores vestidos com camisas verdes e amarelas, reproduzindo o estilo político do clã Bolsonaro.
A mobilização, marcada para as 10h com início às 11h, vai além da estética. O senador trouxe para o programa de governo pautas ideológicas que refletem diretamente a agenda de seu pai, incluindo restrição à participação de mulheres trans em competições femininas, ampliação das escolas cívico-militares e a defesa de uma educação sem “doutrinação político-partidária”. O documento também reafirma a oposição ao aborto sob o pretexto do “respeito à vida desde a concepção” e propõe mudanças no Supremo Tribunal Federal para limitar decisões individuais de ministros e casos criminais contra autoridades.
Após o ato no Rio, Flávio mira o Sudeste para ganhar terreno, com uma motociata em Juiz de Fora — cidade emblemática onde Jair Bolsonaro foi esfaqueado em 2018 — e articulações políticas em São Paulo e no Rio de Janeiro. No entanto, o PL enfrenta desafios regionais, como a perda de apoio de partidos aliados no Rio e candidatos pouco conhecidos em Minas Gerais, refletindo um desgaste da base bolsonarista tradicional.
Em São Paulo, a campanha busca fortalecer alianças com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB), tentando expandir sua presença na maior praça eleitoral do país. No Rio, porém, o cenário é mais complexo, com o PL isolado e sem os antigos aliados União Brasil e PP, que decidiram neutralidade na disputa.
A estratégia de Flávio é clara: resgatar a identidade bolsonarista com forte apelo conservador e manifestações públicas que marcam a trajetória do pai, tentando reanimar e fidelizar uma base política que enfrenta desgaste e divisões internas. O ato em Copacabana, as cores da bandeira nacional e o tom ideológico reforçam essa tentativa de manter viva a chama do bolsonarismo na corrida presidencial de 2026.








