Expurgos militares marcam nova fase da centralização de poder de Xi Jinping


Com a redução histórica da presença militar no Congresso Nacional do Povo, Xi fortalece controle sobre as Forças Armadas

Expurgos militares marcam nova fase da centralização de poder de Xi Jinping
Militares chineses participam de cerimônia oficial em Pequim Foto: Reuters

Expurgos militares na China refletem a estratégia de Xi Jinping para consolidar seu poder e controlar as Forças Armadas antes do Congresso de 2027.

O impacto dos expurgos militares na centralização de poder na China

Os recentes expurgos militares representam um movimento estratégico imprescindível na trajetória política de Xi Jinping. Conforme reportado pela agência oficial Xinhua em 25 de fevereiro, nove militares foram removidos do Congresso Nacional do Povo, marcando a menor representação das Forças Armadas nesse órgão desde 1974. Essa reconfiguração evidencia o esforço do líder chinês para centralizar o comando das Forças Armadas sob seu controle direto, cenário fundamental para a estabilidade política rumo ao Congresso do Partido Comunista em 2027.

A comissão militar central como instrumento de controle de Xi Jinping

A Comissão Militar Central (CMC) é o órgão máximo que supervisiona as decisões estratégicas e operacionais do Exército chinês. Desde 2022, uma profunda reestruturação tem afetado seus membros: dos seis generais nomeados por Xi, apenas um permanece ativo, e figuras como o ministro da Defesa Li Shangfu foram afastadas. As destituições são justificadas por “graves violações de disciplina e da lei”, mas apontam também para uma redução da autonomia militar e fortalecimento do sistema de responsabilidade sob o próprio presidente da CMC, cargo ocupado por Xi Jinping.

Contexto político e a importância do Congresso do Partido Comunista em 2027

A proximidade do Congresso do Partido Comunista em 2027 torna o ambiente político especialmente delicado. Esse evento define os rumos da liderança e a composição da cúpula para os próximos cinco anos. Ao realizar expurgos e reconfigurar o alto comando militar antecipadamente, Xi reduz riscos de que as Forças Armadas atuem como um poder autônomo capaz de influenciar a sucessão política. Essa ação aumenta a segurança do líder frente a possíveis dissidências internas e fortalece o alinhamento das Forças Armadas a suas diretrizes.

Corrupção e disciplina como pretextos para a reforma militar

As justificativas oficiais para os afastamentos envolvem denúncias de corrupção, especialmente no setor de aquisições das Forças Armadas, além de violações disciplinares. A área de foguetes, responsável pelo arsenal nuclear, sofreu perdas significativas em sua cúpula, demonstrando o alcance da limpa. Contudo, além do combate à corrupção, essas medidas refletem preocupações de Xi com a lealdade e disciplina dentro das Forças Armadas, buscando assegurar uma liderança militar alinhada e subordinada à sua autoridade.

Perspectivas para o futuro das Forças Armadas e da política chinesa

Ao consolidar sua influência sobre as Forças Armadas, Xi Jinping prepara o terreno para uma governança mais centralizada e coesa. Essa reestruturação impacta diretamente a capacidade militar, as prioridades orçamentárias e a postura política do país, especialmente em temas sensíveis como Taiwan. Com menor resistência interna, o líder aumenta as chances de continuidade de suas políticas estratégicas, mesmo que isso implique custos imediatos de instabilidade dentro do alto comando militar.

Esses expurgos militares são, assim, indicativos claros de uma nova fase na política chinesa, onde a centralização do poder e o controle sobre as instituições de segurança são prioridades máximas para Xi Jinping na reta final de seu terceiro mandato.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Reuters


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