Ex-presidentes do BC pressionam Senado pela autonomia plena do banco


Carta de 37 ex-dirigentes defende PEC que dá autonomia orçamentária ao Banco Central, desafiando críticas da equipe econômica

Ex-presidentes do BC pressionam Senado pela autonomia plena do banco
Ex-presidentes e ex-diretores do Banco Central pedem autonomia orçamentária para a instituição — Foto: REUTERS/Adriano Machado

Cinco ex-presidentes e 32 ex-diretores do Banco Central lançaram carta forte ao Senado defendendo a aprovação da PEC 65/2023, que garante autonomia orçamentária e administrativa à autoridade monetária, criticando restrições que prejudicam o banco.

Cinco ex-presidentes e 32 ex-diretores do Banco Central (BC) lançaram nesta terça-feira uma carta que pode ser interpretada como uma pressão direta ao Senado para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 65/2023. O texto, em tramitação no Senado há quase três anos, garante autonomia orçamentária, administrativa e financeira ao BC, um passo além da autonomia formal conquistada em 2021.

Os signatários — entre eles Henrique Meirelles, Alexandre Tombini e Roberto Campos Neto — destacam que o texto aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado demonstra maturidade institucional e está pronto para votação final. Segundo eles, a decisão precisa ser tomada com foco no interesse público e na necessidade de equipar o Banco Central com os recursos que correspondem à importância de sua missão.

Autonomia orçamentária: uma necessidade urgente

Na carta, os ex-dirigentes alertam para os riscos que restrições administrativas e orçamentárias impõem à capacidade do BC de cumprir suas funções. Eles reforçam que a autonomia formal, que confere independência à política monetária, não é suficiente diante do crescimento das atribuições da instituição, que hoje inclui a supervisão do sistema financeiro e a operação de infraestruturas críticas como o Pix.

Resistência e contraponto à equipe econômica

A carta dos ex-presidentes e ex-diretores contraria diretamente as críticas recentes da equipe econômica à PEC. Eles argumentam que o texto aprovado aperfeiçoa a relação financeira entre o BC e o Tesouro Nacional, promovendo maior clareza institucional, previsibilidade e transparência fiscal.

O manifesto revela um embate claro nos bastidores da política econômica: enquanto a equipe econômica tenta restringir a autonomia plena do BC, os ex-dirigentes da autarquia fazem um apelo técnico e político para que o Senado avance na aprovação da PEC.

Quem assina

Além dos cinco ex-presidentes — Wadico Waldir Bucchi, Gustavo Loyola, Henrique Meirelles, Alexandre Tombini e Roberto Campos Neto —, a carta conta com a assinatura de 32 ex-diretores em exercício em diversas gestões, reforçando o peso técnico e político da mobilização.

Esse movimento coloca o Senado sob pressão para decidir sobre o futuro do Banco Central, uma instituição que, para esses especialistas, precisa de independência total para agir com eficácia num cenário econômico cada vez mais complexo e demandante.


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