Em pleno Agosto Lilás, mês dedicado à conscientização contra a violência de gênero, Carmem Lúcia, 43 anos, procurou o Jornal Sou de Palmas para relatar os horrores que tem vivido. A cabeleireira, residente na capital tocantinense, expôs um ciclo de agressões físicas e psicológicas que culminaram em um ato de violência extrema, justamente no dia em que a Lei Maria da Penha completava 19 anos.
Carmem descreve que o relacionamento, inicialmente promissor, se deteriorou rapidamente. “No início, ele era trabalhador, comprometido. Depois de um tempo, vieram os gritos, empurrões, e então ele tentou me enforcar”, relatou a vítima. A escalada da violência a forçou a morder o agressor em uma tentativa desesperada de se defender.
Apesar de ter deixado a casa após o episódio, Carmem cedeu aos pedidos de desculpas e promessas de mudança, retornando ao lar. No entanto, a situação só se agravou. O companheiro passou a controlar seus movimentos, destruir seu celular e, segundo ela, fazia uso de drogas, o que intensificava seu comportamento agressivo.
Em um dos episódios de violência, Carmem sofreu um chute que resultou na fratura de sua perna esquerda. Buscou atendimento médico e foi afastada do trabalho por 40 dias. Com a ajuda de uma amiga, conseguiu se mudar, mas perdeu o emprego e ficou sem recursos para sustentar seus filhos.
A situação atingiu um ponto crítico na madrugada de 30 de julho. Sob efeito de drogas e álcool, o agressor a derrubou, desferiu socos, a arrastou pelos cabelos e a chutou repetidamente. O ataque só cessou quando o filho de Carmem buscou ajuda em um bar próximo. A vítima foi socorrida e encaminhada ao Hospital Geral de Palmas com traumatismo cranioencefálico leve.
A Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) informou que Carmem recebeu atendimento multiprofissional no HGP e foi encaminhada à rede de acompanhamento para vítimas de violência. A Secretaria da Segurança Pública do Tocantins (SSP-TO) declarou que o caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de Palmas, sob segredo de justiça, conforme previsto na Lei Maria da Penha.
Contudo, Carmem afirma que o agressor permanece solto e que tem recebido ameaças constantes, inclusive de familiares dele. Orientada a procurar um abrigo sigiloso, ela teme o impacto emocional que essa medida causaria em seus filhos. “Como vou tirá-los da escola? Como dar o básico para eles?”, questiona, desesperada.
A história de Carmem Lúcia escancara a fragilidade do sistema de proteção à mulher no Brasil. Apesar da existência de leis, muitas vítimas ainda se sentem desamparadas, reféns de um ciclo de violência que parece não ter fim.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










