Operação Janus expõe elo contábil entre crime organizado e doleira investigada pela Lava Jato

Meire Bonfim da Silva Poza, conhecida como doleira da Lava Jato, recebia R$ 70 mil mensais do PCC para gerir a estrutura contábil da facção, segundo investigação da Operação Janus do Gaeco.
A Operação Janus, desencadeada pelos promotores do Gaeco nesta terça-feira (21), revelou que Meire Bonfim da Silva Poza, a conhecida doleira da Lava Jato, recebia R$ 70 mil todo mês para manter a “estrutura contábil” do braço financeiro do PCC. Essa ligação direta entre uma das principais investigadas da Lava Jato e a facção criminosa expõe uma engrenagem financeira que há anos alimenta o crime organizado com expertise contábil.
Meire já esteve presa em abril de 2018, sob suspeita de envolvimento em um esquema bilionário de desvios da Previdência desarticulado pela Operação Encilhamento. Investigada na Lava Jato, ela mantinha proximidade com o doleiro Alberto Youssef, delator do esquema na Petrobrás. Agora, a Operação Janus traz à tona seu papel como peça-chave na manutenção da contabilidade e lavagem de dinheiro do PCC.
O Gaeco identificou trocas de mensagens entre Meire e Cléber Azevedo dos Santos, operador financeiro do PCC, além de conexões com outros réus da Operação Bazaar, como Leonardo Meirelles, também ligado a fraudes em contratos públicos. Meire, além de assessorar, participava dos crimes, inclusive em operações de troca de valores entre dinheiro vivo e transferências eletrônicas para ocultar recursos ilícitos.
As investigações ainda revelam que Meire ajudou o advogado Amjad Ahmad, conhecido como “Amim”, em manobras fiscais e registro de empresas, ampliando a rede de proteção e lavagem. Apesar das condenações anteriores, Meire segue atuando em esquemas criminosos, reforçando o desafio de desmontar estruturas que operam à sombra do sistema.
Essa articulação mostra o desgaste das instituições diante da sofisticação das organizações criminosas, que contam com profissionais especializados para blindar suas operações. A prisão preventiva de Meire representa um passo necessário para desarticular esse elo contábil que sustenta o dinheiro do crime no país.
Doleira da Lava Jato e PCC: elo financeiro explícito
Gaeco expõe operações de lavagem e manipulação fiscal
Conexões com outros réus da Lava Jato e Operação Bazaar
Reincidência e desafio na luta contra o crime organizado
A Operação Janus deixa claro que o combate ao crime organizado exige ir além das prisões de ponta, alcançando a estrutura financeira que permite a impunidade e a continuidade das atividades ilícitas. Meire Poza encarna essa face do sistema: uma profissional da contabilidade a serviço do crime, remunerada generosamente para manter a engrenagem funcionando.









