Intervenção do Tesouro americano reduz juros dos Treasuries e promove alta do Ibovespa após 11 quedas seguidas

Dólar cai a R$ 5,17 com anúncio do Tesouro dos EUA para ampliar recompra de títulos, aliviando pressão nos juros e promovendo alta do Ibovespa
O dólar comercial registrou forte queda e fechou nesta quarta-feira (19) cotado a R$ 5,177, recuando 0,86%, após o Tesouro dos Estados Unidos anunciar a ampliação das operações de recompra de títulos públicos de longo prazo. Essa intervenção inesperada aliviou a pressão sobre os juros dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, e gerou maior apetite global por ativos de risco, incluindo o mercado brasileiro.
Mercado Aliviado Após Anúncio do Tesouro dos EUA
A medida, prevista para ocorrer entre 9 de setembro e 4 de novembro, dobrará o volume das recompras para pelo menos US$ 4 bilhões por operação, ante US$ 2 bilhões anteriormente. Com a redução dos rendimentos dos títulos americanos, investidores globais passaram a buscar alternativas mais rentáveis em mercados emergentes, como o Brasil.
Ibovespa Reage e Interrompe Sequência de Quedas
No Brasil, o índice Ibovespa avançou 0,90%, chegando a 167.830 pontos, interrompendo uma sequência preocupante de 11 pregões consecutivos de baixa, a pior marca desde 2023. O desempenho foi puxado principalmente por ações de setores pesados como petroleiras, mineradoras e bancos.
Contexto Doméstico Ainda Pressiona Mercado Brasileiro
Apesar do alívio temporário, o mercado brasileiro segue vulnerável a fatores internos. O nível elevado dos juros básicos mantém a economia sob pressão, enquanto o cenário eleitoral gera incertezas que afastam investidores. A saída de capital estrangeiro se mantém significativa, com saldo negativo de R$ 18,6 bilhões até 17 de agosto.
Perspectivas e Riscos
A ata do Federal Reserve, divulgada no mesmo dia, revela preocupação com a inflação e a possibilidade de novos aumentos nos juros nos EUA, o que limita o otimismo dos investidores. O dólar ainda acumula alta de 2,09% no mês, apesar da queda do dia, e o mercado permanece sujeito a oscilações diante dessa combinação entre cenário externo e interno.
O movimento desta quarta-feira, portanto, representa um alívio momentâneo, mas não elimina as tensões estruturais que continuam a desafiar o câmbio e o mercado acionário brasileiro.








