Diagnóstico tardio de câncer é atribuído ao racismo em nova iniciativa


Sociedade de Oncologia lança guia para combater preconceitos no atendimento à saúde

Diagnóstico tardio de câncer é atribuído ao racismo em nova iniciativa
Léia Silva, mulher que enfrentou dificuldades no diagnóstico. Foto: Karime Xavier/Folhapress

Mulher relata experiências de racismo no atendimento médico e sociedade lança guia para melhorar o atendimento.

Diagnóstico tardio de câncer e racismo: o relato de Léia Silva

Léia Silva, moradora de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, descobriu um nódulo na mama esquerda aos 25 anos. Desde então, sua trajetória em busca de um diagnóstico se tornou uma verdadeira batalha contra o racismo e a desvalorização de sua voz como mulher negra. Após várias tentativas, a técnica em logística só conseguiu um atendimento adequado quase quatro anos depois, quando já se aproximava de seus 29 anos.

O percurso difícil até o diagnóstico

Após sentir o nódulo, Léia se dirigiu a uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde encontrou uma espera de três meses para uma consulta. Determinada, ela frequentou o posto diariamente, conseguindo um encaixe em duas semanas. Embora a ultrassonografia tenha sido realizada em uma clínica particular, o acesso ao mastologista levou quase um ano. Na primeira consulta, o médico desconsiderou suas queixas, afirmando que ela era jovem demais para ter câncer e sugerindo um retorno em seis meses, que se estendeu por mais um ano.

A resposta da sociedade médica

Diante dessa realidade, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (Sboc) decidiu agir, lançando o Guia de Diversidade. O material visa orientar oncologistas e equipes de saúde a oferecer um atendimento inclusivo e sensível às particularidades de grupos historicamente marginalizados, como a população negra e pessoas LGBTQIAPN+. Segundo Jessé Lopes da Silva, membro do comitê que produziu o guia, o objetivo é dar voz a quem enfrenta barreiras no acesso à saúde.

Microagressões e preconceito no atendimento

A médica Abna Vieira, também membro do comitê, ressalta que as microagressões enfrentadas por pacientes negros no consultório são um reflexo de um racismo estrutural. Comentários sutis e atitudes depreciativas podem impactar diretamente na qualidade do atendimento. Ela afirma que, quando um paciente negro é mal atendido, não se pode ignorar a possibilidade de que isso se deva ao racismo.

A pesquisa que fundamenta a iniciativa

Um estudo recente publicado na revista JAMA relaciona a discriminação racial ao agravamento de condições de saúde, como o câncer de mama. A pesquisa sugere que o estresse causado por preconceitos pode influenciar o desenvolvimento de tumores mais agressivos. Para Léia, o diagnóstico tardio não é apenas uma questão de saúde, mas um reflexo de uma sociedade que ainda precisa evoluir em termos de igualdade e respeito.

Como denunciar e buscar ajuda

Para pacientes que possam ter enfrentado situações de racismo no atendimento médico, é importante saber que é possível denunciar. Canais de ouvidoria das secretarias de saúde e até mesmo a polícia podem ser acionados para registrar essas ocorrências. A luta de Léia e a criação do Guia de Diversidade são passos importantes para garantir que ninguém mais passe pelo que ela passou, promovendo um atendimento mais justo e igualitário para todos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Karime Xavier/Folhapress


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