O tradicional desfile cívico-militar em comemoração ao Dia da Independência, realizado neste domingo na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, foi palco de manifestações do público. Gritos de “sem anistia” e “soberania não se negocia” ecoaram durante a passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que abriu o evento por volta das 9h20. Lula e a primeira-dama Janja da Silva percorreram a Esplanada no Rolls-Royce presidencial, revistando as tropas antes de se dirigirem à tribuna de honra.
Ao desembarcar, o presidente e a primeira-dama foram recebidos pelo Ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, e pelos comandantes das Forças Armadas. O evento deste ano ocorre em um momento de tensões políticas, tanto no cenário nacional quanto internacional, com o julgamento de Jair Bolsonaro pelo STF por suposta tentativa de golpe e a crise bilateral com os Estados Unidos devido a tarifas comerciais impostas pelo governo Trump.
Em meio a esse cenário, aliados de Bolsonaro e partidos de oposição articulam no Congresso Nacional a aprovação de um projeto de lei de anistia, visando livrar o ex-presidente e seus apoiadores de responsabilização pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A proposta enfrenta forte resistência de setores da sociedade civil e do governo, que defendem a punição dos envolvidos na tentativa de golpe.
A temática central do desfile deste ano, “Brasil Soberano”, refletiu o momento político e a necessidade de reafirmar a independência e a autonomia do país. Bonés com a frase “Brasil Soberano” foram distribuídos ao público, e a decoração das tribunas também ostentava a mesma mensagem. Outros eixos temáticos abordados no desfile foram “Brasil dos Brasileiros”, “Brasil do Futuro” e a COP30, que será realizada em Belém.
A segurança na Esplanada dos Ministérios e na Praça dos Três Poderes foi reforçada para garantir a tranquilidade do desfile e o andamento do julgamento de Bolsonaro no STF. O presidente Lula, em pronunciamento à nação na véspera do 7 de setembro, enfatizou a importância da soberania nacional e da união dos brasileiros na defesa da democracia. O desfile, que durou cerca de duas horas e encerrou com a apresentação da Esquadrilha da Fumaça, atraiu um público estimado em 45 mil pessoas.
Entre as autoridades presentes, destacaram-se o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente da Câmara, Hugo Motta. A ausência do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, devido a uma viagem oficial à França, e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que está em seu estado natal, Amapá, chamaram a atenção. A maioria dos ministros do governo federal também prestigiou o evento.










