Perícia aponta possíveis alterações em arquivos do celular apreendido, o que pode influenciar investigações no STF

A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro entregou ao STF um laudo pericial que levanta dúvidas sobre a integridade dos arquivos do iPhone apreendido, o que pode beneficiar o ministro Alexandre de Moraes no caso Master.
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, entregou nesta quinta-feira (29) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um laudo pericial que levanta questionamentos sobre a integridade dos arquivos do iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal. Conforme o documento, 436 arquivos teriam sido criados e centenas de arquivos alterados no celular após sua apreensão, o que pode influenciar na validade das provas apresentadas contra o ex-banqueiro e beneficiar o ministro Alexandre de Moraes, alvo das mensagens enviadas por Vorcaro.
Contexto das mensagens e investigação
Em setembro, o ministro André Mendonça, então relator do caso Master, liberou relatório da PF com 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes. Segundo a PF, Vorcaro usava estratégias para dificultar a recuperação das conversas, como enviar imagens com visualização única e apagar mensagens após 24 horas. Moraes negou ter recebido as mensagens e atribuiu a inclusão no inquérito a ação política.
Detalhes do laudo pericial
O perito da defesa destaca que, apesar de o celular ter sido apreendido em 17 de novembro de 2025, houve criação e alteração de arquivos nos dias seguintes. Contudo, ele não consegue afirmar com certeza se as modificações foram resultado de intervenção humana, automática ou rotineira, já que não teve acesso aos dados brutos do celular.
O laudo ressalta que, sem registros técnicos que comprovem a origem das alterações, não é possível descartar que sejam resultado de manipulação. Caso confirmadas, essas inconsistências poderiam invalidar as provas, com base no princípio do “fruto da árvore envenenada”, que anula evidências obtidas por meios ilícitos ou adulterados.
Pedidos da defesa e andamento do caso
Os advogados de Vorcaro solicitam ao presidente do STF, Edson Fachin, acesso aos dados brutos extraídos do aparelho e pedem a revogação da prisão preventiva, propondo medidas cautelares alternativas. Sustentam que o celular é a principal prova da investigação e que as dúvidas levantadas pelo laudo pericial comprometem o devido processo legal e o contraditório.
A Polícia Federal ainda não se manifestou sobre o laudo. O caso segue em análise no STF, com potencial impacto nas investigações que envolvem o ex-banqueiro e o ministro Moraes.
Fonte: gazetadopovo.com.br









