Advogados alegam conflito de interesses por voo compartilhado e solicitam redistribuição do inquérito no STF

Defesa de Flávio Bolsonaro solicita ao presidente do STF, Edson Fachin, que ministro Alexandre de Moraes seja declarado impedido para relatar o inquérito que apura relação do senador com advogado Willer Tomaz, e pede que André Mendonça assuma o caso.
A defesa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) protocolou nesta sexta-feira (30) pedido dirigido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para que o ministro Alexandre de Moraes seja declarado impedido de relatar o inquérito que apura a relação entre Flávio e o advogado Willer Tomaz. Os advogados alegam que Moraes possui conflito de interesse por ter utilizado o mesmo avião vinculado a Willer e ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, um dos envolvidos na investigação.
A investigação apura se Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz mantinham uma sociedade indireta para lavagem de dinheiro, inclusive utilizando uma casa de apostas. Foi no âmbito deste inquérito que a Polícia Federal, com autorização de Moraes, solicitou o cancelamento dos passaportes brasileiros e a entrega do passaporte italiano de Flávio Bolsonaro. Após perder a eleição presidencial para Lula (PT), Flávio não entregou os documentos e deixou o Brasil pela fronteira com a Argentina rumo aos Estados Unidos.
Além do pedido de impedimento, a defesa requer que o caso seja redistribuído para o ministro André Mendonça. Sustentam que, como a investigação derivou de dados obtidos na apuração sobre fraudes no INSS, cujo relator é Mendonça, o inquérito deveria estar sob sua competência, conforme o regimento interno do STF. Caso a redistribuição seja concedida, solicitam a revogação das medidas cautelares impostas por Moraes, incluindo o cancelamento e entrega dos passaportes e a proibição de contato entre Flávio e Willer.
O conflito apontado pela defesa decorre do uso compartilhado do jato Legacy 650 (prefixo PP-NLR), que pertence à Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., cujas cotas são divididas entre Willer, Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a Prime You, empresa ligada a Vorcaro até setembro de 2025. Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, também utilizaram jatos de empresas ligadas a Vorcaro entre maio e outubro de 2025. Viviane foi contratada pelo Banco Master por R$ 130 milhões, segundo a Polícia Federal, que também apontou negociações envolvendo o jatinho como forma de pagamento por um contrato do escritório da advogada.
No contexto político, Moraes é visto como adversário pelo bolsonarismo, enquanto Mendonça é considerado alinhado ao grupo, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. A fuga de Flávio para o exterior ocorreu após declarações públicas em que dizia que não deixaria o país, surpreendendo aliados e advogados.
Pontos chave
- Defesa de Flávio Bolsonaro pede impedimento de Moraes por suposto conflito de interesse envolvendo voo compartilhado.
- Solicitação de redistribuição do inquérito para ministro André Mendonça, relator da investigação principal sobre fraudes no INSS.
- Pedido de revogação das medidas cautelares impostas, incluindo cancelamento e entrega dos passaportes.
- Investigação apura suposta sociedade para lavagem de dinheiro entre Flávio Bolsonaro e advogado Willer Tomaz.
- Flávio Bolsonaro deixou o Brasil para os Estados Unidos após a eleição presidencial, contrariando declarações anteriores.
As informações são apuradas com base nos documentos protocolados no STF e nas investigações conduzidas pela Polícia Federal.









