Candidato do Avante propõe magistrados de carreira, exclusão de políticos recentes e controle ampliado do Senado nas indicações

Augusto Cury defende fim da vitaliciedade no STF, mandatos de oito anos e indicações restritas a magistrados de carreira sem recente vínculo político.
O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, fez uma proposta ousada e crítica para reformar o Supremo Tribunal Federal (STF), visando atacar o que enxerga como excessos e desequilíbrios institucionais. Em entrevista ao Metrópoles, Cury defendeu o fim da vitaliciedade dos ministros, substituindo-a por mandatos limitados a oito anos, com a promessa de que, uma vez cumprido o mandato, o ministro não poderá retornar ao cargo.
Além disso, o candidato propõe que dois terços dos integrantes da Corte sejam obrigatoriamente magistrados de carreira, e que os indicados não tenham exercido cargos políticos nem tenham sido filiados a partidos nos últimos cinco anos, tentando, assim, preservar uma suposta imparcialidade e evitar a politização do STF.
Cury também sugere um novo formato para as indicações: magistrados, membros do Ministério Público e representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) teriam papel direto na escolha dos candidatos, embora o Senado continue com a palavra final, na avaliação do candidato, para garantir um filtro contra corporativismos.
O candidato critica ainda a “espetacularização” dos julgamentos no Supremo, dizendo que os votos devem continuar públicos, mas sem a necessidade de apresentação integral e televisionada, criticando o que vê como uso político e midiático da Corte.
No plano macro, Cury defende a harmonia entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, rejeitando a ideia de uma Suprema Corte com poder acima dos demais. Ele promete, caso eleito, convocar um pacto de governabilidade entre as três esferas para governar o país “de maneira adequada e justa”.
Reconhecido por sua carreira como psiquiatra, escritor e professor, Cury é estreante na política partidária e apresenta um discurso contra a polarização, defendendo mudanças estruturais como o semipresidencialismo e a reforma do STF. Com patrimônio declarado de R$ 242,2 milhões, o maior entre os candidatos em 2026, o candidato também se comprometeu a se afastar totalmente de seus negócios caso seja eleito para evitar conflitos de interesses.
A proposta de Cury, ao mesmo tempo que tenta resgatar uma imagem de Justiça técnica e imparcial, também tensiona a relação entre Poderes, ao impor limitações e regras rígidas para composição da Corte, o que pode provocar embates políticos e resistências dentro do sistema atual, marcado por forte influência política nas indicações.








