A morte de Wangley Pereira Reis, assassinado à luz do dia, expôs uma realidade alarmante em Campo Grande: a perda de controle do poder público sobre a segurança e a ordem no centro da cidade e bairros adjacentes. Usuários de drogas circulam livremente, intimidando moradores e comerciantes, enquanto furtos e depredações se tornam rotina. A reportagem do *Campo Grande News* percorreu diversas áreas, constatando um cenário de insegurança e abandono.
Das ruas do Nhanhá ao Guanandi, passando pela Avenida Ernesto Geisel, a reportagem encontrou um rastro de violência e desespero. Muros altos, cercas elétricas e câmeras de segurança revelam o medo dos moradores, enquanto o lixo, barracos improvisados e construções abandonadas compõem a paisagem degradada. Um trabalhador, temendo furtos, chegou a acorrentar sua motocicleta.
No Guanandi, a dona de casa Célia Regina Marques relata o terror de ter sido feita refém em sua própria casa. “Aumentei meu muro porque teve um dia em que fui levar minha filha na escola e, quando voltei, um cara tinha pulado e estava dentro da minha casa”, relembra. Sua sobrinha também foi vítima da violência, agredida por um andarilho em plena luz do dia.
O centro da cidade enfrenta problemas similares, com o consumo de drogas ocorrendo abertamente. Comerciantes, como Ezio Ribeiro, que possui uma loja de colchões há 40 anos, preferem o silêncio por medo de represálias. “Prefiro não me expor, porque a coisa continua e está complicado aqui”, desabafa Ezio, que perdeu clientes devido à presença constante de usuários de drogas.
Para Ezio, a situação saiu do controle das autoridades. “Eles não têm mais controle”, lamenta. Mesmo moradores de áreas mais afastadas, como Mário Márcio Brito, sentem os reflexos da crise, sofrendo com furtos de fios. A falta de políticas de prevenção e o aumento do consumo de pasta base expõem uma cidade que parece ter se resignado ao problema.
O *Campo Grande News* buscou a Secretaria Municipal de Assistência Social (SAS) para comentar sobre as políticas públicas e os desafios enfrentados, mas a resposta foi adiada para a segunda-feira (13) devido a um seminário de capacitação dos servidores. A população aguarda ansiosamente por soluções efetivas para essa crescente crise urbana.










