Pautas-chave do governo trancam agenda; Alcolumbre mantém reservas estratégicas

Com as eleições à vista, Lula tenta reverter o distanciamento político com Alcolumbre para destravar pautas cruciais no Senado, mas presidente da Casa mantém reservas para não ceder totalmente ao governo.
O Congresso Nacional lança mão de um esforço concentrado no início de setembro para votar propostas vitais à agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa tentativa explícita de reduzir a tensão com o Senado, palco de resistência política no último ano. O gesto público da reaproximação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), durante almoço no Palácio do Alvorada, é mais que simbólico: tenta selar um acordo para destravar a pauta legislativa antes das eleições de outubro.
Alcolumbre mantém jogo de reservas
Apesar dos elogios mútuos e do discurso de responsabilidade acima de filiações partidárias, Alcolumbre não cedeu completamente aos pedidos do governo. A principal medida, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que encerra a escala 6×1 na jornada de trabalho, está pautada para votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em 2 de setembro, mas o presidente do Senado evita comprometer-se a levar a proposta rapidamente ao plenário, onde a tramitação é mais complexa e demorada.
Pautas estratégicas sob pressão
Além da PEC do fim da 6×1, outra bandeira petista é a PEC da Segurança Pública, que prevê a criação de um Ministério específico para o tema e endurecimento penal contra chefes de facções criminosas. Ambas terão que passar pela CCJ antes de seguirem para análise no plenário, processo que pode ser estendido pelo regimento do Senado, dependendo da decisão de Alcolumbre, que detém a prerrogativa de acelerar ou não a votação.
O governo também busca avançar com a Medida Provisória 1.357/2026, conhecida como “Taxa das Blusinhas”, que zera impostos federais sobre compras internacionais até US$ 50, além do marco legal dos Minerais Críticos e o projeto sobre incentivos fiscais para data centers, ambos com potencial impacto econômico e estratégico.
Contexto eleitoral e bastidores
A reaproximação ocorre em um contexto delicado: Lula, desgastado no Senado no último mandato de Alcolumbre, tenta minimizar resistências para assegurar vitórias legislativas que fortaleçam sua campanha à reeleição. Alcolumbre, por sua vez, equilibra sua posição para preservar o protagonismo do Senado e evitar a impressão de submissão ao Palácio do Planalto, mantendo uma postura que mescla colaboração e cautela.
Assim, o esforço concentrado agendado para os próximos dias é um termômetro da relação entre Executivo e Legislativo num momento de alta tensão política, onde a aprovação das pautas pode significar fôlego para Lula ou evidenciar o desgaste da sua base no Congresso.








