China endurece contra tarifas dos EUA e chama de chantagem


Governo chinês tem até as 13h para voltar atrás de tarifas retaliatórias; EUA prometem mais tarifas

Enquanto diversos países buscam acordos com os Estados Unidos, a China reage às tarifas com firmeza. O governo chinês deixou claro que não aceitará ameaças e está pronto para contra-atacar.

Na terça-feira (8), o Ministério do Comércio prometeu medidas para proteger os interesses do país. “Se os EUA insistirem, a China resistirá até o fim”, afirmou a nota oficial.

Presidente da China, Xi Jinping

Retaliação imediata

Menos de dois dias após Donald Trump anunciar novas tarifas, Pequim respondeu. A segunda maior economia do mundo impôs penalidades a produtos e empresas americanas.

Além disso, veículos estatais reforçaram a mensagem: a China reage às tarifas com força e confiança. “O impacto existirá, mas o céu não vai cair”, publicou o jornal Diário do Povo, ligado ao Partido Comunista.

O editorial destacou a resiliência do país desde o início da guerra comercial, em 2017. “Quanto mais pressão recebemos, mais fortes nos tornamos”, escreveu o jornal.

EUA endurecem postura

Na segunda-feira (7), Trump ameaçou aumentar ainda mais as tarifas. Ele prometeu uma nova taxa de 50% sobre importações chinesas, caso Pequim não recuasse.

Além disso, o presidente americano suspendeu as reuniões solicitadas pela China. Na quarta-feira anterior, Trump já havia anunciado uma tarifa extra de 34%, elevando a carga total sobre produtos chineses para mais de 54%.

Pequim revidou na sexta-feira (4), aplicando a mesma taxa sobre produtos dos EUA. Outras medidas incluíram controle de exportação de minerais raros e restrições comerciais.

Estratégia chinesa em movimento

Mesmo sob pressão, o governo de Xi Jinping busca transformar a crise em oportunidade. A retórica oficial tenta acalmar o público interno e, ao mesmo tempo, mostrar força ao mundo.

Analistas avaliam que a China vê as ações de Trump como um erro estratégico. Para Pequim, os EUA prejudicam sua própria imagem e podem perder espaço na economia global.

Segundo Ryan Hass, do Brookings Institution, há uma leitura comum na China: o mundo caminha para uma globalização sem os EUA, e Pequim quer liderar esse novo cenário.

China se posiciona como alternativa

Em meio às tensões, a China tenta se mostrar como um parceiro confiável. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o país manterá as portas abertas ao comércio internacional.

No domingo (6), o vice-ministro Ling Ji recebeu executivos de 20 empresas americanas, como Tesla e GE HealthCare. Durante o encontro, afirmou que a China é um destino seguro e promissor para investimentos.

Autoridades e economistas também ressaltaram que a guerra comercial pode abrir espaço para novas cadeias de produção. Para eles, essa é a chance de Pequim reformular sua economia.

Mercados atentos ao impacto

Mesmo com o discurso otimista, a China sabe que enfrentará desafios. As tarifas de Trump também afetam aliados dos EUA, como Japão, Coreia do Sul e União Europeia.

A pressão aumentou especialmente no Sudeste Asiático. Países como Vietnã e Cingapura, grandes polos industriais, também foram atingidos pelas medidas americanas.

O primeiro-ministro de Cingapura, Lawrence Wong, afirmou que o mundo vive uma mudança perigosa. “Entramos em uma era mais arbitrária e protecionista”, declarou no fim de semana.

Medidas internas para conter os danos

O governo chinês anunciou ações para estimular o consumo e mitigar os efeitos das tarifas. Segundo o Diário do Povo, novas políticas econômicas serão lançadas conforme a necessidade.

Mesmo assim, analistas do Goldman Sachs estimam que a tarifa de 34% pode reduzir o PIB chinês em até 0,7 ponto percentual este ano. A expectativa é que Pequim acelere medidas de estímulo para atingir a meta de crescimento de 5%.

No entanto, a retaliação rápida também elevou o risco de uma nova escalada. Com ambos os lados inflexíveis, o fim da disputa parece distante.


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