China entra na briga do Brasil contra tarifas abusivas dos EUA na OMC
País asiático busca influenciar disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos sobre sobretaxas
Carros elétricos chineses no porto, simbolizando a presença comercial da China no mercado internacional — Foto: m feito por drone mostra veículos elétricos (VE
China solicita ingresso nas consultas do Brasil à OMC contra tarifas americanas que chegam a 37,5%, ampliando disputa comercial na organização internacional.
China amplia embate comercial na OMC contra tarifas dos EUA O conflito tarifário que envolve Brasil e Estados Unidos acaba de ganhar um novo protagonista: a China. Nesta segunda-feira (10), o país asiático pediu formalmente para ingressar nas consultas que o Brasil iniciou na Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as sobretaxas aplicadas pelos EUA a produtos brasileiros, que chegam a 37,5%.
A batalha do Brasil contra o tarifaço americano Desde julho, o governo brasileiro luta para derrubar as tarifas impostas unilateralmente pelos EUA, que usam a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 para justificar a medida. O Brasil argumenta que a sobretaxa viola o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) de 1994, prejudicando benefícios comerciais previstos e ferindo regras multilaterais, além de ignorar o devido processo na OMC.
China formaliza interesse comercial na disputa A China aponta que o impacto das medidas norte-americanas não atinge apenas o Brasil, mas também suas exportações para os EUA, especialmente em setores diretamente afetados pelas tarifas adicionais. O país asiático ressalta que a concorrência no mercado americano fica distorcida, justificando seu interesse substancial em participar das consultas.
O enfraquecimento da OMC e o impasse do órgão de apelação A inclusão da China ocorre em um momento delicado: o órgão de apelação da OMC está paralisado desde 2019, vítima do bloqueio político dos EUA durante o governo Trump, o que compromete a efetividade dos processos multilaterais. Caso a disputa avance sem acordo em 60 dias, o Brasil poderá solicitar a formação de um painel para arbitrar o caso, mas a resolução pode se arrastar por anos.
Consequências políticas e econômicas A participação chinesa acrescenta uma nova pressão política e comercial sobre os EUA, em um cenário de aumento das tensões globais e protecionismo. Para o Brasil, contar com o apoio indireto da China fortalece a contestação das tarifas e evidencia a insatisfação de parceiros internacionais com a postura americana. Ainda assim, a disputa expõe as fragilidades do sistema multilateral e a dificuldade de resolver conflitos comerciais complexos no atual contexto geopolítico.