Cessar-fogo no Sudão: grupo paramilitar aceita proposta após dois anos de conflito


Forças de Apoio Rápido se mostram abertas a negociações

Cessar-fogo no Sudão: grupo paramilitar aceita proposta após dois anos de conflito
Cessar-fogo no Sudão: grupo paramilitar aceita proposta. Foto: via AFP

Após dois anos de guerra civil, o grupo paramilitar RSF anunciou aceitação de proposta de cessar-fogo dos EUA e países árabes, mas há cautela sobre sua implementação.

Nesta quinta-feira (6), o grupo paramilitar Forças de Apoio Rápido (RSF) anunciou que aceitou uma proposta dos Estados Unidos e de países árabes para um cessar-fogo humanitário no Sudão, após dois anos e meio de guerra civil que resultou em milhares de mortes. O anúncio, no entanto, exige cautela, pois medidas semelhantes anteriormente não tiveram êxito.

Situação atual e domínio em Al-Fashir

As RSF consolidaram seu controle sobre a cidade de Al-Fashir, na região de Darfur, em 26 de outubro, após um cerco de 18 meses. Este domínio estratégico pode favorecer o grupo em futuras negociações e, conforme o gabinete do procurador do Tribunal Penal Internacional, as ações no local podem configurar crimes de guerra. Mais de 65 mil pessoas foram forçadas a fugir da cidade, que antes da guerra abrigava cerca de 260 mil habitantes.

Reação internacional e negociações

O Departamento de Estado americano afirmou que continua em contato com as partes para facilitar o cessar-fogo. O Conselho de Segurança e Defesa, controlado pelo Exército, se reuniu para discutir a proposta, mas ainda não chegou a uma decisão. Testemunhas relataram abusos durante a tomada de Al-Fashir, e o líder das RSF se comprometeu a punir os envolvidos em abusos, prometendo proteção à população local.

Contexto do conflito

O conflito começou em abril de 2023, em um momento de disputa pelo poder entre Abdel Fattah al-Burhan, líder do Exército sudanês, e Mohamed Hamdan Dagalo, das RSF. Antes do início da guerra, as duas facções eram aliadas. A crise humanitária resultante já deixou dezenas de milhares de mortos e milhões de deslocados, além de uma fome crescente no país.

Notícia feita com informações do portal: www1.folha.uol.com.br


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