Célia e Luiz Fernando enfrentam sequelas da doença e alertam para queda na cobertura vacinal

Casal paranaense relata como a poliomielite afetou suas vidas desde a infância e os desafios atuais com a Síndrome Pós-Poliomielite. Eles destacam a queda na vacinação e a necessidade de acessibilidade nas cidades.
A poliomielite foi eliminada no Brasil há mais de três décadas, mas ainda permanece o desafio de cuidar das pessoas que vivem com as sequelas da doença, como a Paralisia Flácida Aguda (PFA). Célia Henrique, de 54 anos, e Luiz Fernando Zeni, de 69, ambos do Paraná, foram diagnosticados nos primeiros meses de vida e enfrentam até hoje os efeitos da pólio.
No final dos anos 1950, antes da vacina estar disponível no sistema público, Luiz Fernando contraiu a doença ainda bebê em uma família que sofreu perdas. Já Célia, nascida no interior do Paraná, teve acesso limitado à imunização naquela época. Ambos foram levados para tratamento em São Paulo e, posteriormente, estabeleceram-se em Curitiba para acesso a recursos especializados.
A poliomielite afetou principalmente os membros inferiores do casal, que passaram por múltiplas cirurgias e fisioterapia para recuperação funcional. Luiz Fernando utilizava aparelho ortopédico desde a infância e frequentava a Associação Paranaense de Reabilitação (APR), onde recebeu apoio integral. Célia também participou das atividades da APR, que oferecia fisioterapia, psicologia e fonoaudiologia.
A transição para escolas comuns trouxe desafios, incluindo preconceito e dificuldades de aceitação social. Luiz Fernando relata experiências de questionamento e exclusão, enquanto Célia enfrentou o medo inicial de ser olhada de forma diferente.
Com o tempo, ambos conquistaram autonomia e independência. Célia iniciou o trabalho aos 20 anos e sonhava ser psicóloga, enquanto Luiz Fernando buscava experiências sociais típicas da juventude. O casal se conheceu no início dos anos 2000 e está junto há quase 30 anos, destacando o amor como elemento fundamental para superar obstáculos.
Atualmente, enfrentam a Síndrome Pós-Poliomielite (SPP), um quadro neurológico que provoca fraqueza muscular e perda de funções adquiridas. Luiz Fernando compara essa fase a uma “desmontagem” dos ganhos de mobilidade ao longo da vida.
O Ministério da Saúde recomenda cobertura vacinal de 95%, mas, nos últimos anos, a taxa caiu para abaixo de 85% em várias regiões, o que preocupa os especialistas. O casal reforça a importância da vacinação infantil para evitar o retorno da poliomielite e destaca que a imunização é uma responsabilidade coletiva.
Além disso, apontam que o planejamento urbano ainda precisa avançar para garantir acessibilidade plena, essencial para a qualidade de vida das pessoas com deficiência. Segundo Célia, “só quem tem poliomielite sabe a importância da acessibilidade”.
Apesar das dificuldades, o casal mantém uma rotina adaptada, com apoio familiar e uma casa planejada para suas necessidades. Para eles, a poliomielite representou uma série de perdas de tempo e limitações, mas também a oportunidade de construir uma vida em parceria e com superação constante.
Fonte: bemparana.com.br





