Musicólogo lituano Giedrius Gapsys lidera evento que revive música sacra sob influência soviética

O renomado musicólogo lituano Giedrius Gapsys traz a Curitiba o canto gregoriano, enfrentou a censura soviética e destaca a força espiritual dessa música milenar em evento cultural.
O canto gregoriano, uma das expressões musicais mais antigas da tradição cristã, ressurge com força em Curitiba graças ao evento Cantate – Encontro de Canto Gregoriano e Polifonia Sacra, realizado de 14 a 16 de agosto de 2026 na Capela Santa Maria. À frente, o musicólogo lituano Giedrius Gapsys, que carrega na trajetória pessoal a resistência contra a repressão soviética à música sacra, desafia o silêncio imposto pela história e traz para o Brasil um legado espiritual e cultural pouco conhecido, porém vital.
Resistência e redescoberta
Giedrius Gapsys iniciou sua relação com o canto gregoriano aos 20 anos, na Lituânia, então sob o domínio da União Soviética, onde a expressão sacra era proibida. Essa conexão profunda, nascida em meio à censura, moldou sua carreira e o transformou numa autoridade mundial em musicologia medieval. Sua vinda a Curitiba não é apenas um intercâmbio cultural, mas um gesto de resistência e valorização da tradição cristã milenar, que sobreviveu a regimes que tentaram silenciá-la.
Tradição que fala ao presente
O Cantate oferece oficinas, aulas práticas, conferências e concertos que aprofundam o entendimento das origens do canto gregoriano, cuja notação com neumas revela nuances que se perdem nas partituras modernas. O evento reúne também nomes nacionais como o padre Pedro Gubitoso e o maestro Francisco Wildt, fortalecendo o cenário da música sacra no Brasil. Essa iniciativa da Prefeitura de Curitiba, por meio da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, destaca a importância estratégica de preservar e difundir um patrimônio cultural que toca o coração e reafirma a identidade cristã.
Música milenar como instrumento de identidade
Mais que uma herança histórica, o canto gregoriano é apresentado como expressão viva e atual, capaz de conectar o público contemporâneo à espiritualidade e à arte de séculos passados. Giedrius enfatiza que esta música não pertence apenas a museus ou igrejas, mas a todos que a escutam e sentem suas raízes. O encontro em Curitiba se torna, assim, um palco para reafirmar valores culturais e espirituais que resistem ao tempo e às adversidades políticas, colocando o Brasil no mapa da preservação da música sacra mundial.
Fonte: xvcuritiba.com.br








