Brasil adota postura paciente frente ao tarifaço dos Estados Unidos, diz Durigan


Ministro da Fazenda ressalta que atitude brasileira foi distinta da reação europeia diante das tarifas americanas

Brasil adota postura paciente frente ao tarifaço dos Estados Unidos, diz Durigan
Ministro da Fazenda, Dario Durigan, durante entrevista sobre o tarifaço dos EUA. Foto: Ministro da Fazenda, Dario Durigan (Washington Costa/MF)

Dario Durigan destaca que o Brasil enfrentou o tarifaço dos Estados Unidos com firmeza e paciência, diferentemente da Europa, que reagiu abruptamente.

A postura paciente do Brasil diante do tarifaço dos Estados Unidos

Em entrevista concedida na última semana em Paris, durante a Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do G7, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou a postura do Brasil em relação ao tarifaço dos Estados Unidos. Segundo Durigan, o Brasil adotou uma atitude de paciência e firmeza, rejeitando a imposição de tarifas elevadas, mas sem retaliar diretamente os Estados Unidos, ao contrário das reações mais abruptas observadas na Europa.

O ministro explicou que o país enfrentava tarifas de até 50%, combinando um imposto global de 10% com 40% adicionais, mas optou por não adotar retaliações comerciais. Durigan ressaltou ainda que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos envolve déficits comerciais em setores específicos, como importação de serviços, tecnologia e produtos farmacêuticos. Dessa forma, a imposição de tarifas americanas não provocou uma resposta tarifária equivalente do Brasil.

Diferenciais entre a resposta brasileira e a europeia ao tarifaço americano

Durigan destacou que a Europa reagiu de forma muito mais abrupta, buscando acordos rápidos com os Estados Unidos que, segundo ele, podem ter contribuído para agravar a situação. Em contraste, o Brasil manteve uma posição política firme, defendendo sua soberania e rejeitando qualquer interferência externa que considerasse injusta.

Essa postura pacífica, segundo o ministro, reflete uma estratégia política que visa proteger os interesses nacionais sem escalonar conflitos comerciais, demonstrando maturidade e resiliência nas relações internacionais.

Impactos geopolíticos e autonomia do Judiciário brasileiro

O ministro também abordou a pressão geopolítica exercida pelos Estados Unidos relacionada ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro. Apesar da imposição das tarifas, Durigan afirmou que a estratégia americana não conseguiu influenciar o andamento do processo judicial, que prosseguiu e resultou na condenação de Bolsonaro.

Essa situação, na avaliação do ministro, fortaleceu a autonomia do Judiciário no Brasil, enviando um sinal positivo às empresas nacionais e internacionais sobre a previsibilidade jurídica do país. Durigan ressaltou que a confiança no sistema legal é fundamental para investidores que buscam resolver disputas por meios institucionais, sem interferência política indevida.

Defesa do multilateralismo e equilíbrio nas relações internacionais

Na entrevista, Durigan reafirmou a defesa do multilateralismo como princípio central da política externa brasileira, alinhando-se aos discursos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil rejeita mecanismos unilaterais que vêm surgindo em diversas partes do mundo, promovendo negociações e soluções em fóruns multilaterais.

Quanto às relações com a China e a Europa, o ministro afirmou que o Brasil não adota preconceitos e busca manter boas relações com todos, mas enfatiza a necessidade de evitar a inundação do mercado nacional por produtos manufaturados importados. Isso também é válido para os minerais críticos, onde o país busca agregar valor e industrializar seus recursos para não repetir erros do passado que prejudicaram setores produtivos.

Vantagens geopolíticas do Brasil na produção de energia limpa

Durigan concluiu destacando que o Brasil se encontra em uma posição de força no cenário internacional, especialmente por seus investimentos em energia limpa e biocombustíveis. Em um contexto marcado por incertezas globais, como a guerra no Irã e o bloqueio do Estreito de Ormuz, essa posição confere ao país vantagens estratégicas importantes para sua atuação econômica e política.


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