Obra de Cibele Tenório destaca a importância da ativista no movimento feminista brasileiro

Biografia de Almerinda Gama, sufragista negra, é resgatada em obra de Cibele Tenório.
A importância da obra de Cibele Tenório sobre Almerinda Gama
A biografia “Almerinda Gama: A Sufragista Negra”, escrita por Cibele Tenório, aborda a trajetória de uma mulher fundamental na luta pelo sufrágio feminino no Brasil. Publicada em junho, a obra foi originada da dissertação de mestrado da autora na Universidade de Brasília, sob orientação da renomada professora Teresa Cristina Novaes Marques. O livro se destaca por apresentar um rigor acadêmico aliado a uma narrativa acessível, trazendo à tona a vida de Almerinda Gama, uma figura esquecida no contexto do feminismo brasileiro.
A trajetória de uma sindicalista e feminista
Almerinda Farias Gama, uma alagoana que enfrentou enormes desafios, tornou-se uma voz ativa no movimento sufragista, apesar de ter sido ofuscada por suas contemporâneas brancas e de classe alta. O livro de Tenório revela a vida de Almerinda, que, mesmo sem acesso à educação formal por longos anos, se formou como datilógrafa e se destacou no movimento, representando as mulheres trabalhadoras. Sua história é um testemunho da luta de muitas mulheres que, como ela, buscaram visibilidade e reconhecimento.
Desmistificando a conquista do voto feminino
Historicamente, a conquista do voto feminino no Brasil é frequentemente apresentada como um ato de benevolência por parte de homens políticos. No entanto, Tenório questiona essa narrativa simplista, mostrando que a luta pelo direito ao voto foi intensa e cheia de resistência. Almerinda Gama se destacou por sua militância, mesmo quando as circunstâncias a colocavam em posição desvantajosa em relação a outras sufragistas.
As amizades e os conflitos no movimento
A biografia também dissecou as relações entre Almerinda e figuras proeminentes do movimento, como Bertha Luz e Carlota de Queirós. Tenório analisa os conflitos e as divergências entre essas mulheres, mostrando como as diferenças de classe e raça impactaram suas interações e objetivos. A autora destaca a importância das contribuições de Almerinda nos bastidores da Fundação Brasileira pelo Progresso Feminino, onde atuou em diversas funções, ajudando a fortalecer a luta pelo sufrágio.
A vida pessoal de Almerinda Gama
Além de sua militância, o livro também oferece um olhar sobre a vida pessoal de Almerinda. Após a morte do marido, ela desafiou as expectativas sociais da época, optando por não se casar novamente e vivendo de forma independente. Sua casa no Cachambi, zona norte do Rio de Janeiro, tornou-se um abrigo para amigos e pessoas necessitadas, exemplificando sua generosidade e compromisso social.
Conclusão: Uma injustiça histórica corrigida
“Almerinda Gama: A Sufragista Negra” não apenas resgata a memória de uma mulher extraordinária, mas também corrige uma injustiça histórica, colocando Almerinda Gama em seu devido lugar dentro do movimento feminista brasileiro. Cibele Tenório, com sua pesquisa meticulosa e narrativa envolvente, promete proporcionar aos leitores uma nova perspectiva sobre a luta pelo direito de voto e a importância da inclusão de todas as vozes na história do feminismo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Divulgação










