Humorista Léo Lins é condenado a mais de 8 anos de prisão por piadas em show de stand-up

Sentença determina prisão em regime fechado e pagamento de mais de R$ 300 mil por danos morais coletivos; defesa vai recorrer O humorista Léo Lins foi condenado a oito anos, três meses e nove dias de prisão em regime fechado por ter incitado o preconceito e a discriminação contra diversos grupos sociais em um show de stand-up. A decisão é da juíza federal Barbara de Lima Iseppi, da 3ª Vara Criminal de São Paulo. Além da pena de prisão, Lins também foi condenado ao pagamento de R$ 303.600 por danos morais coletivos. O caso teve como ponto de partida um vídeo publicado em 2022 no canal do humorista no YouTube. A gravação mostrava trechos de um show realizado em Curitiba, no qual Lins faz piadas ofensivas contra uma série de grupos sociais: pessoas com deficiência, negros, indígenas, nordestinos, judeus, homossexuais, evangélicos, soropositivos, obesos e idosos. O vídeo chegou a ultrapassar a marca de 3 milhões de visualizações antes de ser removido, por ordem judicial, no ano passado. Na sentença, a magistrada destacou que o humorista reconheceu o conteúdo preconceituoso das piadas, mas demonstrou “indiferença quanto à reação das vítimas”. Para ela, o fato de o conteúdo ter sido apresentado em um espetáculo de comédia não anula a responsabilidade criminal. “A liberdade de expressão não serve de escudo para comentários odiosos, preconceituosos e discriminatórios”, escreveu a juíza. Leia mais: Carla Zambelli deixa o Brasil e anuncia afastamento do mandato após condenação no STF A decisão reacende um debate antigo sobre os limites do humor e da liberdade de expressão no Brasil. Enquanto seguidores de Lins alegam censura e defendem que o humor “pode tudo”, entidades e representantes de grupos minoritários afirmam que o caso é emblemático para reforçar os limites legais do discurso de ódio, mesmo sob o rótulo de comédia. A defesa do humorista já anunciou que vai recorrer da sentença e classificou a condenação como um ataque direto à liberdade artística. Em vídeos publicados nas redes sociais, Lins se manifestou contra a decisão e disse que sofre perseguição por conta do tipo de humor que faz. “Trata-se de um triste capítulo para a liberdade de expressão no Brasil”, disse ele, em nota. Por enquanto, o humorista continua em liberdade até que os recursos sejam julgados pelas instâncias superiores da Justiça Federal. A sentença ainda cabe recurso no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3). Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Advogado abandona defesa de Zambelli após descobrir que deputada deixou o país

Deputada está fora do Brasil dias após ser condenada pelo STF a 10 anos de prisão O advogado Daniel Bialski anunciou nesta terça-feira (3) que deixou oficialmente a defesa da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP), no mesmo dia que a parlamentar comunicou que está fora do país. A decisão do criminalista veio à tona depois que ele foi informado pela própria deputada sobre sua ausência do território nacional para, segundo ela, dar continuidade a um tratamento de saúde. “Fui apenas comunicado pela deputada que estaria fora do Brasil para dar continuidade a um tratamento de saúde. Todavia, por motivo de foro íntimo, estou deixando a defesa da deputada, como já lhe comuniquei”, afirmou Bialski em nota enviada à imprensa. Zambelli está fora do Brasil desde a semana passada, conforme ela mesma confirmou à rádio Auriverde. A saída do país ocorreu poucos dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) condená-la a 10 anos e 8 meses de prisão por envolvimento em ataques ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Na mesma decisão, os ministros também determinaram a perda de seu mandato parlamentar. Segundo a colunista Raquel Landim, do UOL, a deputada teria decidido sair do país após ouvir de aliados próximos que não escaparia da prisão e que a decretação da pena era certa. A viagem não foi comunicada oficialmente à Câmara dos Deputados, nem ao Supremo. Leia mais: Justiça solta MC Poze do Rodo e critica prisão feita pela Polícia Civil do RJ O abandono da defesa por parte de Bialski é mais um capítulo que reforça a gravidade do momento político de Carla Zambelli. A saída do advogado, um dos mais conhecidos do país na área criminal, indica surpresa e possível incômodo com a movimentação da cliente, que agora pode ser considerada foragida da Justiça, caso a Corte determine o cumprimento imediato da pena. O Supremo ainda analisa se haverá mandado de prisão ou medidas cautelares. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Deputado quer barrar venda de bebidas falsificadas no Paraná

Projeto de lei apresentado quer obrigar bares a informar a procedência das bebidas alcoólicas e prevê multa para quem vender produto irregular O deputado estadual Requião Filho (sem partido) quer apertar o cerco contra a comercialização de bebidas alcoólicas falsificadas no Paraná. O político protocolou na última segunda-feira (2) um projeto de lei na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) que atualiza o Código Estadual de Defesa do Consumidor e obriga bares, restaurantes e estabelecimentos similares a informarem, de forma clara e visível, a origem dos produtos vendidos. A proposta cria o selo “Beber Legal”, vinculado ao programa “Empresa Amiga do Consumidor”, para reconhecer os comércios que cumprirem as novas regras. Para conquistar o selo, será preciso apresentar informações transparentes sobre a procedência, qualidade e natureza das bebidas alcoólicas comercializadas. A ideia é inspirada na campanha “Bebida Legal”, já em curso pela Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas do Paraná (Abrabar), que defende a valorização do mercado formal e o combate à clandestinidade. Segundo a entidade, a ação tem apoio de fabricantes, distribuidores e donos de bares e restaurantes. Leia mais: Análise do novo Código de Ética da ALEP é adiada por falta de consenso entre deputados “A ideia é dar mais transparência ao mercado, possibilitando que o consumidor saiba de onde vêm os produtos que está consumindo. Precisamos construir mecanismos para prevenir o acesso a bebidas contrabandeadas, adulteradas e que apresentam riscos à saúde”, afirmou Requião Filho. Se aprovada, a lei também vai considerar a venda de bebidas alcoólicas sem procedência legal como prática comercial abusiva e ato ilícito, com aplicação de multa administrativa para os infratores. O projeto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia. Se passar, segue para debate nas demais comissões permanentes antes de ir a plenário. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Petrobras anuncia nova redução da gasolina e preço deve cair 12 centavos no Paraná

Sindicato orienta que queda comece a ser sentida nas bombas aos poucos A Petrobras anunciou uma nova redução no preço da gasolina vendida às distribuidoras, e o reflexo nas bombas deve ocorrer aos poucos. Segundo comunicado do sindicato que representa as distribuidoras de combustíveis no Paraná, o Paranapetro, a expectativa é de que o litro da gasolina fique R$ 0,12 mais barato a partir desta segunda-feira (2) e chegue ao consumidor final dentro dos próximos dias. A diminuição no valor acontece após a estatal cortar o preço médio da gasolina de R$ 3,01 para R$ 2,93 por litro. O ajuste vale para o combustível vendido diretamente às distribuidoras. Como a gasolina que chega ao consumidor final é uma mistura de 73% de gasolina com 27% de etanol anidro, a previsão é de que a queda se traduza em cerca de 12 centavos a menos nas bombas. “Se a redução for integralmente repassada ao consumidor final, o preço médio da gasolina nas bombas deverá ter uma redução de R$ 0,12 por litro”, diz a nota da Paranapetro. A entidade ainda recomenda que o novo preço já seja aplicado a partir do primeiro carregamento do dia. Leia mais: Entenda a lei que quer multar uso de drogas em locais públicos de Curitiba A mudança tem impacto direto sobre o bolso dos motoristas e acontece em um contexto de oscilação no mercado internacional de petróleo. A Petrobras, nos últimos meses, tem adotado uma política de preços que não depende exclusivamente da variação do dólar e do barril no exterior, mas também de fatores como custos internos de produção e competitividade com importadores. Apesar da orientação para o repasse imediato, o preço final da gasolina ao consumidor também depende de outros fatores, como margem de lucro dos postos, tributos estaduais e logística de distribuição. A Paranapetro reforça que seguirá monitorando o comportamento do mercado e que novas atualizações serão comunicadas conforme o cenário evoluir. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
STF começa a interrogar Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe no dia 9 de junho

Audiências com os oito réus do “núcleo duro” da trama golpista de 2022 ocorrem em sequência O Supremo Tribunal Federal (STF) começa a ouvir os oito investigados mais importantes da ação penal que apura a tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Lula e manter Jair Bolsonaro no poder na próxima segunda-feira (9) . O primeiro a depor será o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente e um dos delatores do caso. Bolsonaro será o sexto a ser interrogado. As audiências fazem parte da ação penal aberta com base em denúncia da Procuradoria-Geral da República, que acusa o grupo de planejar uma ruptura institucional após a derrota eleitoral em 2022. Os depoimentos ocorrem em Brasília, na sala da Primeira Turma do Supremo, com exceção do general Braga Netto, que será ouvido por videoconferência porque está preso preventivamente no Rio de Janeiro. Além de Bolsonaro e Mauro Cid, também serão interrogados os ex-ministros Anderson Torres (Justiça), Augusto Heleno (GSI), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), Braga Netto (Casa Civil), o ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem. Todos são considerados parte do “núcleo executivo” do plano golpista, de acordo com o Ministério Público. Leia mais: EUA contestam jurisdição de decisões de Alexandre de Moraes; leia documento Segundo a denúncia da PGR, o grupo elaborou uma minuta de decreto que previa a instauração do estado de sítio e a convocação de novas eleições, além da prisão do ministro Alexandre de Moraes. O texto foi encontrado na casa de Anderson Torres e é apontado como peça central do plano para anular o resultado das urnas. A investigação também mira articulações para usar as Forças Armadas na ruptura institucional. O general Augusto Heleno, por exemplo, teria feito reuniões para discutir a legalidade de uma “intervenção constitucional”. Já Braga Netto e Garnier teriam demonstrado disposição em aderir ao movimento golpista. Os réus respondem por associação criminosa armada, tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e outros crimes relacionados à depredação de patrimônio público, como os atos do 8 de janeiro. Se as oitivas não forem concluídas na segunda, o Supremo já reservou os dias 10, 11, 12 e 13 de junho para continuar os interrogatórios. Depois disso, Moraes vai encerrar a fase de instrução do processo e abrir prazo para as alegações finais. Essa é a reta final de um dos processos mais importantes da história recente do Brasil e pode levar à condenação do ex-presidente da República, o que eventualmente o levaria a prisão. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Análise do novo Código de Ética da ALEP é adiada por falta de consenso entre deputados

Pontos polêmicos envolvem punições pela Mesa Diretora e regras sobre redes sociais A votação do novo Código de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) foi adiada nesta semana depois que os líderes partidários pediram mais tempo para analisar o texto. A proposta estava pronta para ser discutida, mas acabou retirada da pauta por decisão do presidente da Casa, Alexandre Curi (PSD), que concedeu um prazo de uma semana a pedido dos próprios parlamentares. O motivo do recuo foi a falta de consenso em torno de alguns pontos sensíveis do projeto. Entre eles, destacam-se as hipóteses de punição que podem ser aplicadas diretamente pela Mesa Diretora, sem necessidade de votação no Conselho de Ética, e os mecanismos de controle sobre o uso das redes sociais por parte dos deputados, especialmente no que diz respeito aos chamados discursos de ódio feitos entre parlamentares. Esses trechos provocaram reação nos bastidores, com deputados avaliando que o texto poderia abrir margem para interpretações subjetivas e eventuais retaliações políticas, principalmente contra a oposição. A proposta original prevê medidas disciplinares que vão de advertência à suspensão de prerrogativas parlamentares, além de exigir conduta ética também fora do exercício formal do mandato, incluindo publicações online. Leia mais: Candidato apoiado por Ratinho Junior lidera corrida ao governo do Paraná, aponta IRG Diante das dúvidas e da possibilidade de desgaste, os líderes decidiram não votar o novo código de imediato. A expectativa é que o tema volte à pauta na próxima segunda-feira (9), após uma nova rodada de conversas entre os parlamentares. Enquanto isso, segue em vigor apenas o Regimento Interno, considerado defasado por boa parte da Casa. A reformulação vinha sendo construída desde que Alexandre Curi assumiu a casa legislativa, com o objetivo de modernizar as regras internas de conduta e dar mais celeridade aos processos disciplinares, principalmente após uam série de momentos viralizarem nas redes sociais por serem considerados quebras de decoro, tanto por parte de integrantes do governo, quanto de oposicionistas. Apesar do adiamento, Alexandre Curi manteve o compromisso de levar a proposta à votação ainda neste mês. Mas, até lá, será preciso costurar um texto que equilibre transparência e controle sem ferir a liberdade de expressão dos deputados ou concentrar poder demais na cúpula da Assembleia e, para isso, os próprios parlamentares não descartam emendas e mudanças estruturais no texto. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Entenda a lei que quer multar uso de drogas em locais públicos de Curitiba

Proposta em discussão na Câmara prevê sanções administrativas para quem for flagrado consumindo drogas em praças, parques e ruas da cidade A Câmara Municipal de Curitiba está analisando um projeto de lei que prevê multa de até R$ 1 mil para quem for flagrado consumindo drogas ilícitas em locais públicos da capital. A ideia é criar uma ferramenta legal para coibir o uso de entorpecentes em espaços como praças, parques, ruas e avenidas, por meio de sanções administrativas. O texto é de autoria do vereador Tico Kuzma (PSD) e já recebeu um substitutivo geral, que altera pontos do projeto original. No modelo anterior, quem fosse multado também seria obrigado a participar de ações educativas, como encontros de grupos de mútua ajuda e rodas de conversa sobre prevenção ao uso de drogas. O substitutivo tirou essa obrigatoriedade, deixando essa parte mais flexível. Mesmo assim, a proposta continua prevendo que o Município desenvolva ações de conscientização. O novo texto permite, por exemplo, a colocação de placas e materiais informativos sobre prevenção ao uso de drogas em parques, praças e locais públicos próximos a escolas e espaços frequentados por crianças, adolescentes, gestantes e idosos. Leia mais: Justiça suspende Comissão Processante contra Cris Lauer em Maringá após questionamento sobre origem da denúncia A proposta também prevê que pessoas em situação de vulnerabilidade social poderão ter isenção do pagamento da multa. Segundo o texto, quem comprovar baixa renda poderá ser dispensado da penalidade. Já usuários em situação de rua com dependência química não serão multados: nesses casos, a ideia é que essas pessoas sejam encaminhadas à rede pública de saúde para atendimento e acompanhamento especializado. O valor das multas pode variar conforme a gravidade e a reincidência, chegando ao teto de R$ 1 mil. A regulamentação, se aprovada, ficará a cargo do Poder Executivo, sob comando do prefeito Eduardo Pimentel (PSD), e deverá ser publicada em até 180 dias após a sanção da lei. O texto ainda precisa passar por duas votações no plenário da Câmara. Só depois disso, se aprovado, é que segue para sanção ou veto do prefeito. Projeto que multa usuários de drogas pode ser inconstitucional Apesar da justificativa de “zelar pelo espaço público” e “promover a segurança”, a proposta levanta dúvidas jurídicas importantes. Especialistas apontam que o projeto pode ser inconstitucional por invadir competências da União e por desrespeitar o princípio da dignidade da pessoa humana, previsto na Constituição. De acordo com o artigo 22 da Constituição Federal, compete privativamente à União legislar sobre direito penal e o uso de drogas, ainda que tipificado como infração de menor potencial ofensivo, é matéria penal. Como a proposta da Câmara cria sanções administrativas para uma conduta já disciplinada pela Lei de Drogas, ela pode ser considerada uma forma indireta de criminalização, o que viola o pacto federativo. Além disso, a imposição de multas sem garantia de defesa prévia pode ferir o devido processo legal. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
EUA contestam jurisdição de decisões de Alexandre de Moraes; leia documento

Em carta enviada ao ministro do STF, governo americano afirma que decisões brasileiras não têm validade automática nos Estados Unidos O Departamento de Justiça dos Estados Unidos enviou uma carta oficial ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para contestar a validade de ordens judiciais brasileiras que exigem ações da plataforma Rumble, sediada nos EUA. O documento, datado de 7 de maio, afirma que decisões do STF contra a empresa não têm efeito imediato em território americano e só podem ser executadas por meio de processos judiciais próprios, conforme a legislação dos EUA. O centro da disputa envolve determinações de Moraes contra o jornalista Allan dos Santos, foragido nos EUA e investigado por suposta atuação em redes de desinformação. Moraes determinou que a Rumble bloqueasse contas ligadas a ele, suspendesse repasses financeiros e fornecesse dados sobre transações anteriores. A Rumble não cumpriu as ordens, alegando que está sujeita apenas às leis do seu país. Na carta, o Departamento de Justiça norte-americano diz que “não se posiciona sobre a exequibilidade das ordens no Brasil”, mas destaca que “na medida em que esses documentos ordenam que a Rumble empreenda ações específicas nos Estados Unidos, tais diretivas não são ordens judiciais executáveis nos Estados Unidos”. Leia mais: Glenn Greenwald se pronuncia após vazamento de vídeo íntimo e fala em motivação política A carta também chama atenção para a forma como as notificações judiciais brasileiras foram entregues à empresa, afirmando que elas precisam seguir os canais corretos de cooperação jurídica internacional. O texto cita tratados assinados entre Brasil e EUA, como o Acordo de Assistência Judiciária Mútua (MLAT), e destaca que a natureza dos processos, se cível ou criminal, influencia o trâmite adequado. A manifestação do governo dos EUA escancara os limites da jurisdição brasileira sobre plataformas internacionais e aumenta a pressão sobre o STF para que adote vias diplomáticas formais quando quiser atingir empresas estrangeiras. Por enquanto, a Rumble continua operando normalmente nos Estados Unidos, sem ter cumprido nenhuma das ordens emitidas por Moraes. Veja a íntegra da carta enviada pelo Departamento de Justiça dos EUA: Íntegra da carta enviada à Moraes Prezado Ministro Alexandre de Moraes, O Departamento de Justiça dos Estados Unidos refere-se ao processo acima mencionado e apresenta seus cumprimentos ao Supremo Tribunal Federal do Brasil (“Tribunal”). Dentro do Departamento de Justiça, o Escritório de Assistência Judicial Internacional (“OIJA”) atua como Autoridade Central em conformidade com a Convenção da Haia sobre a Citação e Notificação de Documentos Judiciais e Extrajudiciais em Matéria Civil ou Comercial (“Convenção da Haia sobre Citação”) e a Convenção da Haia sobre a Obtenção de Provas no Exterior em Matéria Civil ou Comercial (“Convenção da Haia sobre Provas”), e o Escritório de Assuntos Internacionais (“OIA”) atua como Autoridade Central dos Estados Unidos no âmbito dos Tratados de Assistência Judiciária Mútua em Matéria Penal (“MLATs”), incluindo o Tratado entre o Governo dos Estados Unidos da América e o Governo da República Federativa do Brasil sobre Assistência Judiciária Mútua em Matéria Penal (“MLAT Brasil-EUA”) e convenções multilaterais que incluem disposições sobre assistência judiciária mútua das quais o Brasil e os Estados Unidos são signatários. Não nos posicionamos sobre a exequibilidade das diversas ordens e outros documentos judiciais que ordenam que o Rumble atue no território brasileiro, o que é uma questão de direito brasileiro. No entanto, na medida em que esses documentos ordenam que o Rumble empreenda ações específicas nos Estados Unidos, informamos respeitosamente que tais diretivas não são ordens judiciais executáveis nos Estados Unidos. A lei norte-americana prevê diversas bases para o não reconhecimento, que podem incluir a insuficiência do devido processo legal ou a incompatibilidade com a lei norte-americana que protege a liberdade de expressão. As ordens judiciais brasileiras não são exequíveis nos Estados Unidos sem procedimentos bem-sucedidos de reconhecimento e execução nos Estados Unidos. Além disso, gostaríamos também de expressar preocupações sobre a forma de entrega de quaisquer documentos no Rumble. Não temos informações suficientes neste momento para determinar o objeto ou a natureza do processo acima mencionado, incluindo se trata-se de uma questão cível ou criminal. No entanto, na medida em que o Tribunal brasileiro busca instruir o Rumble a tomar medidas no Brasil, a entrega de documentos judiciais do Rumble nos Estados Unidos deve ocorrer por meio de um canal apropriado, consistente com o direito internacional consuetudinário e quaisquer acordos aplicáveis entre o Brasil e os Estados Unidos. Esses canais diferem dependendo se o caso é cível ou criminal. Observamos que seguir os procedimentos adequados para entrega de documentos judiciais não determina, por si só, se tais documentos têm efeito no país de origem, o que é uma questão de domicílio estrangeiro. Novamente, não nos posicionamos sobre a eficácia das ordens do Tribunal no Brasil como uma questão de direito brasileiro. Atenciosamente,Departamento de Justiça dos Estados UnidosDivisão CivilEscritório de Assistência Judicial Internacional Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Glenn Greenwald se pronuncia após vazamento de vídeo íntimo e fala em motivação política

Jornalista disse que o conteúdo foi publicado sem seu consentimento e afirma estar perto de descobrir quem é o responsável O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil há mais de uma década, foi alvo de um vazamento de vídeo íntimo que circulou nas redes sociais na noite de quinta-feira (29). A gravação, que retrata momentos da vida privada do jornalista, segundo ele, foi publicada sem seu consentimento. Em nota publicada em seu perfil pessoal nesta sexta-feira (30), Greenwald afirmou que a divulgação foi criminosa e movida por interesses políticos. Greenwald não entrou em detalhes sobre o conteúdo do vídeo, mas deixou claro que se tratam de registros de sua intimidade. “Alguns [dos vídeos] foram distorcidos e outros não”, escreveu, ao comentar a repercussão. O jornalista também afirmou que o conteúdo mostra atos consensuais, sem prejuízo a terceiros, e que não se envergonha do que foi exposto. A manifestação foi publicada nas redes sociais e rapidamente ganhou apoio de colegas, ativistas e figuras públicas. “Obviamente, pode ser desconfortável e desagradável quando o seu comportamento privado é tornado público contra a sua vontade — é por isso que o comportamento é privado em primeiro lugar”, disse. Para Greenwald, o único problema no episódio foi a publicação dos vídeos sem sua autorização, com o objetivo de promover uma agenda política. Leia mais: PSOL-Rede pede cassação de Marcos Rogério por “ataques a Marina Silva” O jornalista reforça a suspeita de que o vazamento tenha sido arquitetado por adversários políticos. Sem citar nomes, Greenwald afirmou que a identidade do responsável ainda é desconhecida, mas que ele e sua equipe estão perto de descobrir quem está por trás da divulgação. A repercussão foi imediata nas redes sociais, onde Greenwald é uma figura bastante conhecida, tanto por seu trabalho no jornalismo investigativo quanto por suas opiniões políticas contundentes. Fundador do site The Intercept Brasil e ganhador do Prêmio Pulitzer, Greenwald se tornou uma figura central no debate público brasileiro após a série de reportagens da Vaza Jato, que revelou conversas privadas de procuradores da Lava Jato e abalou o cenário político nacional. Mais recentemente, entrou em conflito direto com a esquerda ao criticar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nos inqueritos das fake news e do golpe de Estado. Ainda na nota, Greenwald garantiu que seguirá trabalhando normalmente. “Continuarei exercendo todas as vertentes do meu jornalismo, perseguindo as causas mais importantes para mim, exatamente como antes”, declarou. Leia a íntegra da manifestação de Gleen Greenwald Abaixo, veja a íntegra da nota publicada por Glenn Greenwald sobre o vazamento: “Ontem à noite, foram divulgados vídeos online que retratam comportamentos da minha vida privada. Alguns foram distorcidos e outros não. Foram publicados sem o meu conhecimento ou consentimento e, por isso, a sua publicação foi criminosa. Embora ainda não saibamos exatamente quem é o responsável, estamos perto de saber, e o motivo foi maliciosamente político. Quanto ao conteúdo dos vídeos: não me sinto envergonhado nem arrependido por eles. Os vídeos retratam atos íntimos de adultos em suas vidas privadas. Todos eles demonstram um comportamento totalmente consensual, sem prejudicar ninguém. Obviamente, pode ser desconfortável e desagradável quando o seu comportamento privado é tornado público contra a sua vontade — é por isso que o comportamento é privado em primeiro lugar —, mas o único erro aqui é a publicação criminosa e maliciosa dos vídeos para promover uma agenda política. Cada um pode, naturalmente, formar suas opiniões, como muitos fazem quando se trata da vida alheia. Isso não mudará meu trabalho. Continuarei exercendo todas as vertentes do meu jornalismo, perseguindo as causas mais importantes para mim, exatamente como antes.” Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
TCU aprova editais dos últimos pedágios no Paraná; saiba locais

Com 1.058 km de rodovias, trechos abrangem regiões estratégicas do estado e somam R$ 29,8 bilhões em investimentos O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou na última quarta-feira (29) os editais dos dois últimos lotes do novo programa de concessões rodoviárias do Paraná. Juntos, os lotes 4 e 5 somam 1.058 quilômetros e terão 11 novas praças de pedágio em rodovias que cortam as regiões Oeste, Noroeste, Norte, Vale do Ivaí e Centro-Oeste do estado. No lote 4, que tem 620 quilômetros de extensão, serão instaladas seis novas praças de pedágio nos seguintes municípios: Iporã Perobal Tapejara Engenheiro Beltrão Jandaia do Sul Califórnia Esse trecho conecta Guaíra (na fronteira com o Paraguai) a Nova Londrina (na divisa com São Paulo), passando por trechos das BRs 272, 487 e 376 e por oito rodovias estaduais. O investimento total previsto é de R$ 18,2 bilhões, sendo quase R$ 11 bilhões em obras. Estão planejados 239 km de duplicações, 87 km de faixas adicionais, quase 60 km de contornos e diversas obras de segurança e mobilidade. Já o lote 5, com 430 quilômetros de extensão, terá cinco praças de pedágio nas regiões Oeste e Noroeste. Os locais definidos são: Toledo Nova Aurora Paranacity Colorado Itaúna do Sul Esse lote liga rotas que atendem ao fluxo entre o Paraguai, Mato Grosso do Sul e o interior do Paraná. O projeto inclui duplicações, faixas adicionais e adequações em rodovias importantes da região, como as BRs 163, 272 e 376. Leia mais: Paraná lidera crescimento econômico no Brasil no 1º trimestre de 2025 Os editais agora serão ajustados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) com base em recomendações do TCU, especialmente sobre a modelagem econômico-financeira do lote 4. A expectativa é que o leilão ocorra no segundo semestre de 2025, na B3, a bolsa de valores de São Paulo. A licitação seguirá o modelo já adotado nos quatro primeiros lotes: vence quem oferecer a menor tarifa por quilômetro rodado, sem cobrança de outorga. Com a aprovação dos lotes 4 e 5, o programa de concessões do Paraná chega à fase final, totalizando cerca de 3,3 mil quilômetros concedidos à iniciativa privada. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!