Glenn Greenwald se pronuncia após vazamento de vídeo íntimo e fala em motivação política


Jornalista disse que o conteúdo foi publicado sem seu consentimento e afirma estar perto de descobrir quem é o responsável

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, radicado no Brasil há mais de uma década, foi alvo de um vazamento de vídeo íntimo que circulou nas redes sociais na noite de quinta-feira (29). A gravação, que retrata momentos da vida privada do jornalista, segundo ele, foi publicada sem seu consentimento. Em nota publicada em seu perfil pessoal nesta sexta-feira (30), Greenwald afirmou que a divulgação foi criminosa e movida por interesses políticos.

O jornalista foi o principal nome da série de reportagens Vaza Jato (Laycer Tomaz/ Câmara dos Deputados)

Greenwald não entrou em detalhes sobre o conteúdo do vídeo, mas deixou claro que se tratam de registros de sua intimidade. “Alguns [dos vídeos] foram distorcidos e outros não”, escreveu, ao comentar a repercussão. O jornalista também afirmou que o conteúdo mostra atos consensuais, sem prejuízo a terceiros, e que não se envergonha do que foi exposto. A manifestação foi publicada nas redes sociais e rapidamente ganhou apoio de colegas, ativistas e figuras públicas.

“Obviamente, pode ser desconfortável e desagradável quando o seu comportamento privado é tornado público contra a sua vontade — é por isso que o comportamento é privado em primeiro lugar”, disse. Para Greenwald, o único problema no episódio foi a publicação dos vídeos sem sua autorização, com o objetivo de promover uma agenda política.

O jornalista reforça a suspeita de que o vazamento tenha sido arquitetado por adversários políticos. Sem citar nomes, Greenwald afirmou que a identidade do responsável ainda é desconhecida, mas que ele e sua equipe estão perto de descobrir quem está por trás da divulgação.

A repercussão foi imediata nas redes sociais, onde Greenwald é uma figura bastante conhecida, tanto por seu trabalho no jornalismo investigativo quanto por suas opiniões políticas contundentes. Fundador do site The Intercept Brasil e ganhador do Prêmio Pulitzer, Greenwald se tornou uma figura central no debate público brasileiro após a série de reportagens da Vaza Jato, que revelou conversas privadas de procuradores da Lava Jato e abalou o cenário político nacional.

Mais recentemente, entrou em conflito direto com a esquerda ao criticar a atuação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, nos inqueritos das fake news e do golpe de Estado.

Ainda na nota, Greenwald garantiu que seguirá trabalhando normalmente. “Continuarei exercendo todas as vertentes do meu jornalismo, perseguindo as causas mais importantes para mim, exatamente como antes”, declarou.

Leia a íntegra da manifestação de Gleen Greenwald

Abaixo, veja a íntegra da nota publicada por Glenn Greenwald sobre o vazamento:

“Ontem à noite, foram divulgados vídeos online que retratam comportamentos da minha vida privada. Alguns foram distorcidos e outros não. Foram publicados sem o meu conhecimento ou consentimento e, por isso, a sua publicação foi criminosa. Embora ainda não saibamos exatamente quem é o responsável, estamos perto de saber, e o motivo foi maliciosamente político.

Quanto ao conteúdo dos vídeos: não me sinto envergonhado nem arrependido por eles. Os vídeos retratam atos íntimos de adultos em suas vidas privadas. Todos eles demonstram um comportamento totalmente consensual, sem prejudicar ninguém. Obviamente, pode ser desconfortável e desagradável quando o seu comportamento privado é tornado público contra a sua vontade — é por isso que o comportamento é privado em primeiro lugar —, mas o único erro aqui é a publicação criminosa e maliciosa dos vídeos para promover uma agenda política.

Cada um pode, naturalmente, formar suas opiniões, como muitos fazem quando se trata da vida alheia. Isso não mudará meu trabalho. Continuarei exercendo todas as vertentes do meu jornalismo, perseguindo as causas mais importantes para mim, exatamente como antes.”

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