Antiga sede do Dops no Rio é tombada como patrimônio histórico


Edifício, que foi centro de repressão durante a ditadura, busca um futuro como museu da memória

Antiga sede do Dops no Rio é tombada como patrimônio histórico
Inscrições na parede de sala de detenção de carceragem masculina do antigo Dops, no Rio. Foto: Arquivo pessoal

A antiga sede do Dops no Rio de Janeiro foi tombada, enquanto outros acervos da ditadura permanecem sem definição.

Tombamento do Dops: um marco na preservação da memória

O edifício onde funcionou a sede do antigo Dops (Departamento de Ordem Política e Social) no Rio de Janeiro foi tombado pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) no dia 26 de novembro. A decisão, fruto de uma votação em Brasília, visa preservar o espaço que, ao longo de sua história, serviu como um centro de repressão durante as ditaduras do Estado Novo e Militar. O prédio, que já estava sob tombamento provisório, agora é reconhecido oficialmente por seus valores histórico e arquitetônico.

A importância histórica do edifício

Construído em 1910, o edifício abrigou a Delegacia Especial de Segurança Política e Social durante o Estado Novo de Getúlio Vargas e foi a sede do Dops entre 1962 e 1975. O tombamento foi justificado pelo Iphan como uma forma de lembrar as lutas sociais e políticas em defesa da democracia brasileira. “Este parecer carrega uma forte dose de memória traumática que precisa ser resgatada”, afirmou o conselheiro José Renato Oriá Fernandes durante a votação.

Entidades como o coletivo Memória, Verdade, Justiça e Reparação têm pressionado para que o local se transforme em um museu, preservando a dor e a luta de muitos que passaram por ali. Até então, o local também abrigava um museu da Polícia Civil.

O futuro do edifício e do acervo

Questionado sobre os planos para o prédio, o Ministério da Cultura não se manifestou. Contudo, o Iphan expressou a expectativa de que o tombamento leve à criação de um centro de memória. A urgência de ações é destacada por historiadores que alertam sobre a deterioração do espaço. Lucas Pedretti, por exemplo, ressaltou que o patrimônio está em risco devido a danos internos agravados ao longo dos anos.

Outros edifícios e acervos em risco

A situação se agrava quando se considera o antigo IML (Instituto Médico Legal) do Rio, que está sob ação judicial devido ao seu estado de conservação precário. O MPF (Ministério Público Federal) denunciou condições críticas, como documentação exposta à sujeira e umidade, que podem comprometer o acervo de mais de 2.900 metros lineares de documentos relacionados à ditadura militar.

O acervo, que inclui informações sobre desaparecimentos políticos e violações de direitos humanos, é crucial para a compreensão deste período sombrio da história brasileira. Enquanto o antigo Dops busca um futuro como espaço de memória, o IML ainda luta para evitar que sua documentação histórica se perca.

Conclusão

O tombamento do Dops no Rio é um passo importante na preservação da memória histórica do Brasil, mas também expõe a fragilidade de outros acervos relacionados à ditadura. A luta pela memória e pela justiça continua, exigindo ações concretas para garantir que o passado não seja esquecido e que as lições aprendidas não se percam com o tempo.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Arquivo pessoal


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