Especialista aponta afastamento da coalizão ampla que elegeu Lula em 2022 e desafio para conquistar votos no segundo turno

Analista da XP avalia que Lula abandonou coalizão ampla que o elegeu em 2022, concentrando poder no PT e enfrentando dificuldades para ampliar diálogo com eleitores de outras candidaturas no segundo turno.
A analista política Bárbara Baião, da XP, avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abandonou a coalizão ampla que o elegeu em 2022 e passou a concentrar o poder no Partido dos Trabalhadores (PT). Em participação no programa Mapa de Risco, do InfoMoney, na quinta-feira (8), ela destacou que o governo priorizou nomes do PT em ministérios importantes e que Lula focou sua comunicação em seu eleitorado cativo, em vez de ampliar o diálogo com outros setores políticos.
Bárbara enfatizou que a vitória de Lula em 2022 se deu por uma aliança ampla, simbolizada pela escolha de Geraldo Alckmin para vice, mas que essa estratégia não foi mantida na formação do governo e na condução da comunicação oficial. Após o primeiro turno das eleições atuais, quando Flávio Bolsonaro (PL) ficou à frente de Lula, o presidente buscou apoio entre eleitores de outras candidaturas, incluindo setores mais à direita.
A analista ressaltou que parte desse eleitorado conservador não é necessariamente bolsonarista, mas pode ter se afastado do governo pela percepção de que a promessa de um governo plural não foi cumprida. Ela também apontou que a campanha reconhece ter dado espaço excessivo à comparação entre Lula e Bolsonaro, em detrimento de temas do cotidiano dos eleitores, o que contribui para um clima de desorientação na campanha.
Lula já manifestou insatisfação com a organização da campanha e promove ajustes para o segundo turno. Para Bárbara, o desafio vai além da comunicação e envolve ampliar o diálogo com eleitores que não integraram a base do presidente no primeiro turno, especialmente em um contexto de maioria das candidaturas eliminadas posicionadas à direita.









