Executivos da OpenAI e Anthropic pedem cooperação internacional para regular inteligência artificial na Assembleia da ONU

CEOs da OpenAI e Anthropic fazem apelo inédito por cooperação global em IA durante sessão do Conselho de Segurança da ONU, destacando riscos e a necessidade de padrões internacionais.
Em uma rara aparição conjunta na Organização das Nações Unidas (ONU), os CEOs da OpenAI e da Anthropic, Sam Altman e Dario Amodei, respectivamente, defenderam nesta semana a necessidade de uma coordenação global para a regulação da inteligência artificial (IA). O discurso ocorreu durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, que acontece paralelamente à Assembleia-Geral da entidade, em Nova York.
Altman e Amodei enfatizaram que os governos e as empresas devem trabalhar de forma conjunta para estabelecer padrões globais capazes de lidar com os riscos associados à capacidade crescente da IA, incluindo cenários em que sistemas possam se autoaperfeiçoar e superar o controle humano. Para eles, a cooperação internacional é essencial para enfrentar os desafios e maximizar os benefícios da tecnologia.
“Houve momentos em que países que competem entre si conseguiram se unir em torno de interesses compartilhados diante de uma poderosa nova tecnologia. Acreditamos que este é um desses momentos”, afirmou Altman.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, também destacou a importância da coordenação internacional para regular modelos avançados de IA, apontando a ONU como plataforma para esses esforços. Entretanto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou propostas de regulamentação global, classificando-as como um “esquema globalista”.
Além do apelo pela cooperação, Amodei ressaltou os potenciais avanços científicos e médicos proporcionados pela IA, mas alertou para riscos graves, como o uso da tecnologia para criação de armas biológicas por grupos terroristas e a possibilidade de sistemas se tornarem incontroláveis.
A participação conjunta dos CEOs é especialmente relevante, visto que OpenAI e Anthropic são concorrentes diretas na corrida pela liderança tecnológica e ambas planejam ofertas públicas iniciais de ações que podem avaliá-las em cerca de US$ 1 trilhão.
O debate sobre os riscos existenciais da IA ganhou força com o ensaio de Amodei sugerindo desaceleração no desenvolvimento das tecnologias mais avançadas, documento apoiado por Altman e outros líderes do setor.
Também na sessão, o CEO da Hugging Face, Clement Delangue, relatou um ataque cibernético realizado por agentes de IA, reforçando preocupações sobre o controle da tecnologia, embora ponderando contra reações baseadas no medo.
O encontro ocorreu pouco antes da cúpula entre Trump e Xi Jinping, na qual a inteligência artificial é tema central nas negociações entre EUA e China para estabelecer um canal formal de diálogo, em meio à disputa pela liderança global na área.
Altman propôs um caminho pragmático, baseado em padrões globais de segurança, supervisão e compartilhamento de informações, reiterando a disposição das empresas para colaborar na definição do futuro da IA.










