Setor enfrenta desafios com aumento de concessões e falta de pessoal qualificado

O setor de construção pesada está em um momento delicado, enfrentando alta de preços e escassez de mão de obra qualificada.
Na infraestrutura, um cenário de euforia é impulsionado pela programação de leilões de concessões, mas o setor de construção pesada enfrenta desafios significativos. Com a previsão de investimentos em infraestrutura que ultrapassam R$ 259 bilhões para 2024, a escassez de mão de obra qualificada e a alta nos preços das obras são questões que preocupam especialistas e agentes do setor.
Cenário de investimentos
A Abdib (Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base) projeta que o capital privado deverá responder por R$ 197,1 bilhões dos R$ 259,3 bilhões em investimentos programados para 2024. Contudo, leilões recentes têm demonstrado baixa concorrência e, em alguns casos, falta de interessados, indicando possíveis dificuldades em estruturar propostas viáveis e garantir as obras.
Desafios da mão de obra
Miguel Noronha, coordenador do comitê de construção pesada da Abdib, destaca que o setor ainda está se reestruturando após a operação Lava Jato. Com empresas que reduziram suas operações e buscaram maximizar sua governança, a capacidade de liderar concorrências está comprometida. Além disso, a falta de profissionais qualificados para atender à crescente demanda por infraestrutura pode resultar em um aumento significativo nos custos das obras nos próximos anos.
Expectativa de crescimento e riscos
Embora haja uma previsão de que empresas estrangeiras retornem ao Brasil para participar de projetos, a realidade é que o Brasil ainda enfrenta desafios como altos índices de juros e a necessidade de garantir financiamentos adequados. O advogado Daniel Gabrilli de Godoy observa que, mesmo com o aumento do número de projetos, a fases múltiplas de licitações e aprovações devem impedir uma sobrecarga imediata do mercado. Porém, a partir de 2027, com o início das obras mais significativas, a pressão sobre o setor poderá aumentar, elevando ainda mais os custos e exigindo um papel mais ativo dos governos na mitigação de riscos.










