Vice-presidente critica hesitação do Banco Central e aposta em crescimento para ajustar dívida pública

Geraldo Alckmin cobra ação rápida do Banco Central para reduzir juros e aposta em expansão econômica como caminho para ajustar a dívida pública sem sacrificar o PIB.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, não economizou críticas à condução atual da política monetária ao defender que o Banco Central acelere o ritmo de corte da taxa básica de juros. Em evento promovido pelo BTG Pactual, ele destacou que manter os juros elevados é um obstáculo direto ao crescimento econômico do Brasil. “É claro que entendo que o BC devia descer mais rápido os juros”, afirmou com firmeza.
Alckmin enfatizou que a principal preocupação fiscal do País deve ser melhorar a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB), mas alertou que isso não pode ocorrer às custas do recuo da atividade econômica. “Não adianta cortar despesas e o PIB desabar, levando ao desemprego e recessão. O caminho é aumentar o PIB segurando a despesa para melhorar essa relação”, explicou.
O vice-presidente citou a experiência dos governos do presidente Lula entre 2003 e 2010 como exemplo de período em que essa combinação foi alcançada. Contudo, ressaltou que o cenário global atual, marcado por conflitos geopolíticos e pressões inflacionárias, exige uma estratégia ainda mais cuidadosa e dinâmica.
Reconhecendo as vantagens competitivas do Brasil, especialmente em segurança alimentar, energia limpa e minerais estratégicos, Alckmin acredita que o País tem espaço para controlar gastos e ainda impulsionar o crescimento econômico. Nessa perspectiva, defendeu a continuidade das reformas estruturais, com ênfase na regulamentação da reforma tributária para simplificar o sistema, aumentar a eficiência e atrair investimentos.
Sobre a inflação, Alckmin ressaltou que nem todas as pressões podem ser combatidas via política monetária, mencionando especificamente as oscilações nos preços dos alimentos devido a eventos climáticos e o impacto das tensões geopolíticas no preço do petróleo. “Subir juros não resolve oferta agrícola nem influencia o mercado internacional de energia”, argumentou.
O vice-presidente concluiu ressaltando que a agenda para o próximo mandato deve combinar superávits primários positivos e medidas claras de estímulo ao crescimento, evitando que o Brasil caia em armadilhas fiscais que prejudiquem o desenvolvimento econômico e social.









