A sombra da irresponsabilidade fiscal paira sobre as contas públicas, revelando um abismo financeiro crescente. Em meio a essa crise, surge a proposta de onerar ainda mais o cidadão, por meio de medidas como o aumento do IOF, royalties do petróleo e impostos sobre investimentos. O questionamento que ecoa é: até quando a população suportará essa carga?
O aumento do IOF em transações internacionais já gera apreensão no mercado, afetando diretamente quem investe no exterior ou contrata serviços estrangeiros. Paralelamente, a discussão sobre royalties do petróleo, disfarçada de ajuste fiscal, ameaça a competitividade das indústrias e impacta o bolso do consumidor. A proposta de aumentar impostos sobre investimentos surge como mais um golpe, penalizando quem produz e investe.
Enquanto isso, os gastos tributários do governo somam quase R$ 800 bilhões anuais, contrastando com uma máquina pública inchada e repleta de benefícios desproporcionais. O setor produtivo clama por uma revisão dos gastos, alertando que o aumento de impostos é apenas uma solução paliativa. Afinal, como bem alertam especialistas, “aumentar impostos é pintar a fachada, mas não reforçar os alicerces”.
Em vez de medidas eficazes, observa-se uma série de manobras, como recuos em decretos e MPs que maquiam a realidade. A tão esperada reforma tributária permanece incompleta, e a complexidade do sistema só aumenta. A fatura continua crescendo, impulsionada por juros altos e inflação persistente, enquanto o governo se mantém resistente em conter seus gastos.
Dados do Tesouro Nacional revelam que as despesas primárias da União atingiram 19,1% do PIB em 2023, superando a média das últimas duas décadas. O déficit primário ultrapassou R$ 230 bilhões no mesmo ano, e os gastos obrigatórios consomem mais de 93% do orçamento federal. A questão central não é a falta de arrecadação, que já representa cerca de 33% do PIB, mas sim a incapacidade de controlar as despesas.
Até quando o cidadão comum continuará a arcar com o peso de uma máquina pública ineficiente e perdulária? A solução passa por uma gestão mais responsável e transparente, com coragem para cortar os próprios excessos. Enquanto for mais fácil transferir a conta para a população, o fardo continuará a ser socializado, impactando a todos, mais cedo ou mais tarde. A fatura, inevitavelmente, chegará.










