Confederação aponta efeitos negativos da política monetária para crédito, empresas e famílias

A CNI classificou como equivocada a decisão do Copom de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, apontando impactos negativos sobre crédito e atividade econômica, e defendeu retomada dos cortes em dezembro.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) emitiu nesta quarta-feira (4) uma nota crítica à decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. A entidade classificou a manutenção da taxa como “equivocada e excessivamente conservadora”. Segundo a CNI, a continuidade do aperto monetário mantém o crédito caro, prejudicando empresas, famílias e travando a economia.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, defendeu que o Copom retome o ciclo de cortes já na próxima reunião, prevista para dezembro. Alban afirmou que “a Selic permanece muito alta e isso afeta crédito, investimentos e a atividade econômica” e destacou que as expectativas para a inflação, apesar de terem piorado, ainda mantêm o IPCA dentro do intervalo da meta no horizonte relevante da política monetária. Por isso, avalia ser possível diminuir os juros sem causar custo excessivo para assegurar a estabilidade dos preços.
A CNI também apontou o desalinhamento entre as políticas monetária e fiscal, ressaltando que a meta de resultado primário só será cumprida devido a deduções legais, a dívida pública continua crescendo e parte dela está indexada à própria Selic, além do mercado enxergar o risco fiscal como principal ameaça à estabilidade econômica. A confederação afirmou que os efeitos desse descompasso não devem ser corrigidos com juros altos por mais tempo, já que “um choque de origem fiscal pede resposta no campo fiscal”.
Ainda segundo a nota, a política monetária restritiva vigente há 58 meses tem pressionado a atividade econômica. Em setembro, a Sondagem Industrial da CNI apontou que os estoques indesejados atingiram o maior nível desde outubro de 2023 e a margem de lucro teve a pior avaliação desde a pandemia. As vendas no varejo em agosto estavam cerca de 1% abaixo do início do ano, com maior impacto nos segmentos mais sensíveis ao crédito, enquanto o volume de serviços permanece praticamente estável desde o fim de 2025.
A CNI também destacou o comprometimento de renda das famílias, que atingiu 29% em agosto, o maior nível em 21 anos, e o endividamento recorde de 50,1% da renda nos últimos 12 meses. Em pesquisa realizada em outubro, 51,9% dos empresários esperam maior necessidade de financiamento para pagar fornecedores nos próximos meses e 56,9% projetam redução do lucro.
Dessa forma, a CNI reforça a necessidade de retomada do ciclo de cortes na taxa Selic para aliviar o custo do crédito e estimular a economia, considerando que manter a taxa elevada transfere o custo do ajuste para famílias e empresas.
Fonte: metropoles.com










